O que 2017 tem p’ra nos dar…

Neste ano novo, o internacional é o mais relevante, e teme-se o pior. É o essencial, mas não só. O nacional também tem contas por saldar.

O internacional é o mais relevante. E o mais inquietante. Trump com Putin, a Rússia com a Turquia, afinal sempre existe o eixo do mal. A Europa barricada, EUA saltam por cima, ligam diretamente a Moscovo. Socorro! Será único, será histórico, dificilmente será bom. Trump com Putin, a Europa pudim.

Corre o risco de esfrangalho. Outra vez. Acossada, ameaçada. Quando é forte o que nos ameaça, que fazemos? Imploramos e implodimos. Se nada fizermos, se for vazio o espaço que ocupa o poder.

A França pode, pode Le Pen. Lá se foi Londres. Não podia, pelo menos não devia, mas foi-se. E se até a Alemanha sucumbir, se também aquela gente se render ao populismo, às formulas fáceis e perigosas? Não dá para acreditar, não é possível sequer avaliar.

Em 2015 tivemos medo, dos refugiados a entrar porta adentro, do terrorismo na nossa casa. Não é comum, deixou-o de ser, a Europa comum, apenas o medo. Em 2016 escondemos os vivos e contamos os mortos. Contabilidade macabra, deixaram de ser os factos do ano. Até o horror se torna banal. Normal. Não faz mal, anda Marcelo no resgate de Portugal. Na pequena freguesia da União, Costa andou direito numa linha torta. A direita está morta, a politica é uma porca.

Depois admiram-se. Que as eleições ganhem um novo sinónimo e uma outra rima: trambolhões. Caem todos, caem que nem tordos. Ou Coelho. Ou Holande, Cameron, Renzi. Apenas Rajoy, como é uma nódoa, só sai com benzina.

Os nossos entraram à socapa e isto dá ares de que vai durar os quatro anos. Não há ninguém para a troca. Nem para a troika, que se tornou o equivalente de Passos. Foi mau enquanto durou. Não temos felizmente populistas nem xenófobos. Estamos apenas na fase dos batoteiros.
No próximo Dezembro, o dobrar dos sinos? Xeque-mate aos velhos caciques? Não é o principal.

Do internacional depende o essencial. Mas a nossa democracia tem contas por saldar: as contas com os credores, as contas dos bancos, o calcanhar de Aquiles. Mas também anda o País a contas com a justiça. A Justiça que noutros tempos tinha longos braços mas afinal ficou com a perna curta e rabos presos.

Neste 2017, não pode hesitar. Viva la vida, viva La Caixa, que comeu o BPI enquanto que na nossa Caixa nos tomavam por parvos. Na Caixa que ainda vamos tendo. O único banco que nos resta, o único português. Único Banco. Porque do Novo Banco estamos a horas de saber o que sobrou. Pedra sobre pedra? Pode ser, mas com um enorme buraco lá dentro.

Nota: Por decisão própria, o autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

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António Costa

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