O que perdeu Santana

A direita moderada não gostou de ver anos de lua-de-mel de Marcelo e Costa e pôs um anúncio nos classificados em busca de um cordeiro de Deus para a imolação de 2021

Tem sido visível o desnorte à direita a partir do momento em que António Costa se antecipou à colagem que Rui Rio faria a Marcelo Rebelo de Sousa, sinalizando que estará ao seu lado para outras visitas à Autoeuropa no futuro. O PS também não foi tido nem achado nessa declaração de intenções, criando uma série de reacções entre poetas e bardos, porém, como o seguro de vida de vitórias e de poder reside em São Bento acatará diligentemente a opção do primeiro-ministro.

Mas, como é tradicional, a confusão na direita é a sua imagem de marca. André Ventura será candidato e obterá um resultado na casa dos 10 por cento, contudo a direita moderada não gostou de ver anos de lua-de-mel de Marcelo e Costa e pôs um anúncio nos classificados em busca de um cordeiro de Deus para a imolação de 2021. O homem providencial seria Passos Coelho, porém, creio que ele voltará mas a sua ambição passa por governar de novo Portugal antes de uma qualquer ambição presidencial. Miguel Albuquerque não tem dimensão nacional, Adolfo Mesquita Nunes seria um bom «campaigner» e não sobra mais ninguém.

Por isso lembrei-me das voltas da vida e o que seria o momento actual se Pedro Santana Lopes tivesse permanecido na Santa Casa da Misericórdia. Primeiro, dizer que o actual Provedor, Edmundo Martinho, é um técnico competente mas um homem de bastidores, sem o faro político para dominar a onda de apoios que a sua instituição tem dado e não obtendo quase nenhuma visibilidade. Seria tudo diferente com o ex-edil de Lisboa.

Santana Lopes já gastou muitas vidas no combate político, porém, o seu maior erro foi ter seguido o conselho de alguns sequazes que não têm a capacidade de o contrariar e de ver o filme completo. Mas, na altura, nem todos lhe deram palmadinhas nas costas para avançar para o combate no PSD. Ele bem sabe que houve quem o alertasse para o que ia perder ao sair da SCML e esses são os que dormem de consciência tranquila. Depois veio uma derrota contra Rio e um resultado fora dos objectivos nas Europeias e Legislativas já com a camisola da Aliança (partido ao qual não auguro muitas Primaveras) vestida.

Se tem continuado na Santa Casa manteria o trabalho diário no terreno, exibiria bons resultados financeiros da instituição, ganhava uma aura de senador imbatível, continuaria com espaço mediático na SIC e CM (que tinha antes de sair de lá), estaria nesta altura de pandemia como uma das personalidades mais em evidência pela força e poder que a SCML dispõe e tinha a direita a namorá-lo para ser o candidato presidencial num duelo que lhe daria imenso gozo por enfrentar Marcelo que conhece como a palma da mão.

A política tem por base melhorar a vida da comunidade, mas é feita por pessoas e a emoção não é a sua melhor aliada. A política é dura, é cínica, é maquiavélica, é fria, tem sangue de cobra e tantas vezes que vimos Pedro Santana Lopes ser vítima do seu coração, da sua alma de combatente, do gosto pela disputa. Hoje, ele que pensa muitas vezes com os seus botões, deve sentir que a estratégia racional lhe faltou no momento em que não podia falhar e que agora estavam tantos que já o denegriram a bater-lhe à porta. Entretanto, esses, perderam a sua morada.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

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