O Web Summit, as startups e o 200M

Na semana do Web Summit, se pudesse escolher um só tema, escolheria o programa 200M. Um programa que quer evitar que as startups tenham de sair de Portugal para angariarem o primeiro milhão.

Se só pudéssemos escolher um tema para falar com os empreendedores, investidores, CEO e jornalistas de todo o mundo que começaram a aterrar em Lisboa, para o Web Summit, eu escolheria o 200M.

O fundo de co-investimento de 200 milhões de euros, anunciado há um ano pelo primeiro ministro, na abertura do Venture Summit – uma das 24 cimeiras que compõem este mega evento – apresenta-se novamente como patrocinador principal desse encontro. Nele, estão presentes mais de 500 líderes dos maiores fundos de investimento, já na segunda-feira, no Convento do Beato.

Ultrapassados os trâmites normais de regulamentação de um fundo complexo e inovador como o 200M, a novidade este ano é que já está pronto para aceitar manifestações de investimento por parte dos privados. Basta acederem a www.200m.pt e/ou registarem-se no www.signupforportugal.pt.

Esta é a maior medida de apoio de todo o Portugal 2020 e simboliza bem a prioridade do país. Temos em Portugal a maior criação de empresas tecnológicas de sempre e a geração mais qualificada de sempre. O Governo já atribuiu centenas de milhões a investidores portugueses, sejam Business Angels ou Capitais de Risco públicas e privadas. Nunca houve tanto dinheiro atribuído a investidores nacionais. E, no entanto, quando estas empresas necessitam de investimento relevante, vemo-las ir para o estrangeiro.

Infelizmente, muitas não regressam. Algo está mal quando as startups portuguesas, para angariarem o primeiro milhão, têm de sair. Continuamos a perder muitas das melhores. São várias os motivos, mas os principais têm a ver com o tipo de investidor que procuram e o que este pode aportar à empresa, para além do capital. Temos de lhes dar as mesmas oportunidades cá – mas dar-lhes as mesmas oportunidades não é só dar o mesmo dinheiro. E investidores especializados em comércio electrónico, tecnologia ou ciência, capazes de trazer redes internacionais de apoio técnico ou comercial, e apoiar a preparação de rondas seguintes com investidores internacionais, são raros ou inexistentes em Portugal. Falamos de Venture Capital Tech. Mas criar fundos fundados e geridos por empreendedores demora tempo.

Algo está mal quando as startups portuguesas, para angariarem o primeiro milhão, têm de sair. Continuamos a perder muitas das melhores. São várias os motivos, mas os principais têm a ver com o tipo de investidor que procuram e o que este pode aportar à empresa, para além do capital. Temos de lhes dar as mesmas oportunidades cá – mas dar-lhes as mesmas oportunidades não é só dar o mesmo dinheiro.

João Vasconcelos

Com o 200M, um investidor nacional ou internacional tem de investir numa empresa portuguesa, mas não necessita de criar um fundo em Portugal. Este fundo é atractivo porque o Governo aceita as condições do negócio do privado, fica logo estabelecido como podem tirar o Governo a qualquer momento. O Estado não tem de ter a mesma “ganância” que os privados, aceitando receber como retorno apenas o que investiu. Quem representa o investimento total será o privado, ou seja, o Governo só contacta com o Investidor, nunca trazendo a normal burocracia de dinheiros públicos para o dia a dia da vida do empreendedor.

Mas como não temos 400 milhões de euros (200 de fundos públicos, mais 200 que este fundo permite atrair de investidores privados) de boas oportunidades de investimento em Tech & Science, séries A em Portugal, este fundo pretende atrair não só investidores, mas também oportunidades de investimento. Empresas de crescimento rápido que angariando investimento privado em qualquer parte do mundo possam vir para Portugal, porque aqui o Estado corre metade do risco.

De Silicon Valley a Hong Kong, fizeram-se dezenas de reuniões com os melhores investidores internacionais para a preparação deste fundo. Com o 200M, Portugal passa a ser o país europeu mais bem preparado para apoiar empresas de crescimento rápido e investidores habituados a multiplicar por muito o seu investimento. Será uma óptima oportunidade para investidores nacionais realizarem parcerias com internacionais de sectores diferentes. Mas, acima de tudo, vai permitir a um empreendedor chegar a Londres e afirmar, “se investir em mim o meu País acompanha-o”, coisa que deveríamos ter disponibilizado para a Farfetch, a Talkdesk, a Feedzai, a Uniplaces, a Aptoide, a Vision-Box, a Hole19, a Codacy e muitas outras.

Fica assim completo o ciclo de financiamento a startups – da fase de ideia à fase de scaleup. Temos já o Programa Semente, com benefícios fiscais em sede de IRS até 75.000€ para os primeiros investidores (family, friends, fools), temos 60 milhões de co-investimento com Business Angels, temos 100 milhões de co-investimento com capitais de risco nacionais e, agora, o 200M.

Da minha parte, e para o bem desta geração que pode vir a beneficiar deste instrumento, desejo que o processo de seleção seja sofisticado, célere e transparente – coisa que nem sempre aconteceu em instrumentos semelhantes.

Amanhã, no Beato, esta será a minha maneira de transmitir aos maiores e melhores investidores do mundo que Portugal está pronto para receber os seus investimentos.

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