Ok, Boomer! O meme engraçado ou o insulto de 2019?

Os diálogos e encontros geracionais nunca foram fáceis. No entanto, neste confronto há aspetos que parecem indicar que ainda só está no princípio. Que a tormenta ainda está no início.

A cada final de ano fazemos balanços, o chamado year in review. A palavra do ano, a melhor campanha do ano, o discurso do ano, a fotografia do ano, a marca do ano… aqui elegemos a expressão do ano: Ok, Boomer! A frase que se transformou num meme na internet mostra o que não se via tão declarado há alguns anos, uma “guerra” aberta no digital entre gerações – particularmente entre a Z (nascidos entre 1996 a 2015) e os baby boomers (geração nascida entre 1946-1965). Ou como escreveu o The New York Times: ‘OK Boomer’ Marks the End of Friendly Generational Relations.

É precisamente na internet que se encontram algumas explicações para esse confronto geracional, já que terá sido um vídeo partilhado no TikTok a dizer que os Millennials (nascidos entre 1980 a 1996) e os Z’s têm síndrome de Peter Pan, ou seja, que não quererem crescer, que vivem no seu mundo e dependentes dos seus telemóveis. E a partir daí surgiram as primeiras reações, se quisermos uma espécie de revolta digital dos jovens: ok, boomer!

 

Os diálogos e encontros geracionais nunca foram fáceis. No entanto, neste confronto há aspetos que parecem indicar que ainda só está no princípio. Que a tormenta ainda está no início. Se uns argumentam que os jovens vivem de utopias e que não querem crescer, outros acusam os adultos de terem hipotecado o seu futuro.

E dizem-no usando uma expressão que traz consigo um certo desdém pela opinião dos mais velhos, mostra que se sentem incompreendidos – cultural e até economicamente – e que estão fartos de serem “julgados” e de sentirem o seu futuro hipotecado pelo pensamento e visão dos boomers. Greta Thunberg não precisa de publicar no TikTok, o sentimento Ok, boomers está em todo o seu discurso. E há músicas “OK BOOMER!” com versos em que definem os boomers como apoiantes de Trump; já se fala que OK boomer será o nome de um programa da FOX TV; depois de um artigo recente no New York Times já foi criada toda uma linha de merchandising; Chlöe Swarbrick membro do parlamento Neozelandês já a usou num diálogo com um membro mais velho…e até as marcas já a usam em campanhas de social media.

O que tem de interessante para ser expressão de 2019 é o facto de se acreditar que é só o princípio. De uma frustração talvez, como a que se sente nos jovens que deram a entrevista ao The New York Times, porque não podem baixar o preço da faculdade, mais barata para gerações anteriores; por não poderem fazer muito por um ambiente destruído por gerações rendidas à “ganância corporativa”, por não saberem o que fazer com a corrupção política que herdaram… e por aí fora…

Fechamos o ano aqui com o revirar de olhos dos jovens, que neste caso mais do que don’t care about… anuncia uma preocupação e uma frustração que podem não ficar em 2019…um revirar de olhos que trará certamente implicações e transformações que irão obrigar a mudanças profundas nas marcas e empresas…

 

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