Sadomasoquismo político e um menino exemplar

José Miguel Júdice analisa, no Jornal das 8 da TVI, avalia o que faz de Ronaldo um vencedor e como o país deveria seguir o seu exemplo. E também a relação sadomasoquista entre o BE e o PS.

Hoje não irei falar de temas futebolísticos, mas, como diria a Condessa de Segur, vou falar de um menino exemplar. Há muitos anos, talvez com brutalidade excessiva, escrevi um artigo que intitulei “Um País de Mamedes”, usando como pretexto o facto de Fernando Mamede, um notável atleta, desistir de lutar quando achava que já não conseguia ganhar. Não sei se conseguiria dizer que somos “um País de Ronaldos”, mas gostaria muito que assim fosse…

Há alguns anos, Leonel Messi – mais novo – tinha ganho quatro Bolas de Ouro seguidas (2009-2012), Ronaldo apenas uma (2008), e tudo indicaria que essa seria uma década prodigiosa do argentino e que Ronaldo estaria condenado a lutar pelo 2º lugar (e não é só no Pálio de Siena que esse é o lugar menos desejado…)

Fernando Mamede (ou a imagem que eu tinha dele, para aqui pouco importa), perante essa situação, teria desistido. Messi, admito, é mais naturalmente genial do que Ronaldo, mas ninguém acreditaria que o nosso astro fizesse o que os espanhóis chamam de “remontada”. Mas Ronaldo, quando parece perdido, descobre energias adicionais e maior motivação e ganhou 4 vezes nos cinco anos seguintes.

Esta capacidade de fazer das fraquezas forças, de sobreviver quando parece estar perdido, de compensar com esforço e trabalho duro o que para Messi parece ser um passeio, faz dele o mais notável desportista do seu tempo. E também simboliza o que há de melhor nos portugueses. Nisto, Ronaldo é o melhor de todos nós e deve ser uma inspiração para todos, sobretudo os mais novos que não acreditem que Portugal tem futuro. Tem, claro… se formos, cada um de nós no nosso pequeno canto, um Ronaldo. Não no seu lado genial, mas pelo seu lado combativo.

PS e BE. Uma relação sadomasoquista

É espantoso como a política tem a ver com questões psicológicas. O caso da relação sentimental entre socialistas e bloquistas é disso tão exemplar, como Ronaldo o é no seu plano, mas aqui exprime o pior da alma portuguesa.

Li há dias que Manuel Alegre e Francisco Assis, tão diferentes que eles são, estavam unidos na revolta perante a forma como o sádico BE abusa do masoquista PS. E realmente assim é. Não há praticamente uma semana em que o frágil BE não ataque, insulte, ofenda, difame, provoque o PS e o seu Governo.

Porquê que isto é assim do lado do BE? Por um lado, e desde logo, porque os histéricos e os sádicos são assim, vão até ao limite para ver se conseguem que alguém lhes coloque uma barreira e os faça parar – fazem mal ao outro, sentem prazer nisso, não conseguem parar. Histeria e sadismo podem por isso andar bem juntos.

O Bloco é um partido de impotência objetiva, que tudo exige sem conta, peso nem medida, pois nada o gratifica, nada o sossega, nada o apazigua ou acalma.

E porquê o masoquismo do lado do PS? É difícil lidar com histéricos, sabe qualquer psicólogo e alguns mais – é difícil reagir a um sádico, pois constroem o seu poder sobre fragilidades, culpabilidades, receios de si e dos outros

O PS é, como todos os partidos moderados de esquerda, uma entidade culpabilizada por não poder ou não conseguir ser tão revolucionário, tão radical, tão idealista, como os sonhos de juventude e os idealismos pueris antecipariam. É assim fácil cair na dependência afetiva de um sádico e de sonhar em colocar-se no lugar do histérico ou de ilusoriamente o tentar normalizar. Há por isso um lado masoquista no PS quando chega ao Governo (exceto com Soares e Sócrates, por razões distintas…).

E custa ver uma personalidade, forte e solar como António Costa, a vergar-se às chicotadas, aos gritos, aos mecanismos de tortura que Catarina Martins e Mariana Mortágua manejam genialmente.

Tem isto solução? Claro que sim, se o PS chegar à maioria absoluta. Mas se isso parecer possível, o sadismo radical do Bloco só pode aumentar com um nível de histeria crescente. Vai ser bonito, vai…

E o PCP no meio disto tudo? É o contrário do Bloco, é um partido obsessivo, mas este tema fica para uma próxima ocasião.

Uma última nota antes de passarmos ao cantinho das tontices, hoje com três temas apenas referidos e que merecem e serão tratados com tempo noutra ocasião. Esta última nota apenas se justifica por Portugal ser um território de pessoas suscetíveis – ao contrário do que, uns horrorizados e outros encantados, desejarão pensar, o que eu disse nada tem de ofensivo – nem eu quis que tivesse – é pura análise científica.

O muito ocupado cantinho das tontices

Três tristes temas:

  1. A telenovela da ida do Infarmed para o Porto, que exprime o pior do governo socialista, também na frieza com que António Costa fez o harakiri do ministro da Saúde. Ou seja, suicidou-o por si…
  2. A subscrição de 200 milhões de euros de capital do Montepio pela Santa Casa da Misericórdia. Há muitos meses que revelo como estou chocado e hoje, terça-feira, António Costa no ECO explicou no plano económico o arriscado disparate que se vai cometer. No fundo, isto é uma estratégia de Robin dos Bosques ao contrário, tirar aos pobres para dar aos ricos.
  3. O aumento dos assessores e de outros tachos na vereação da Câmara Municipal de Lisboa (“Sol”, o disse), passando de 20 para 124, ou seja um aumento de mais de 500%. Viva o Estado Português com todos os seus tentáculos e quem nele se apoia!

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

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António Costa

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