Outros caminhos para fazeres crescer a tua startup

  • Francisco Martins Caetano
  • 28 Fevereiro 2017

O entrepreneur que consiga gerir, qual estratega do risco, um maior número de alternativas para o crescimento da sua startup, tem uma vantagem competitiva.

Pensemos no ‘Risco’. Plain and simple, o objetivo é o world domination. Mas será que o caminho para esse objetivo deve ser individual? Até pode ser, mas talvez não seja a única (ou até a melhor) estratégia…

Tal como os rookies do ‘Risco’, também os entrepreneurs procuram maximizar o crescimento da suas startups utilizando uma estratégia marcadamente individualista: isoladamente, procuram aumentar os produtos/serviços comercializados no maior espaço geográfico possível para o maior número de clientes.

Apesar de esta estratégia não ser errada (ou sequer criticável), aqueles entrepreneurs, tal como os rookies do ‘Risco’, apenas conseguem ambicionar o objetivo de world domination caso utilizem também outras estratégias de parcerias e de M&A.

Muitos entrepreneurs recusam estabelecer parcerias e outros acham que operações de M&A apenas são hipóteses empresas maduras e a ‘nadar’ em dinheiro. Nada mais errado e pouco ambicioso.

Utilizando o framework preparado por Laurence Capron e Will Mitchell no livro “Build, Borrow, or Buy: Solving the Growth Dilemma”, qualquer entrepreneur pode criar uma estratégia de crescimento de sucesso tendo como pilares:

  1. Desenvolvimento interno (building) vs. Fornecimento externo. Desenvolvimento interno dos recursos críticos e fornecimento externo para colmatar recursos não críticos.
  2. Estabelecimento de parceiras e de alianças “iniciais”. Celebrar contratos com parceiros (borrowing) para fazer crescer recursos, mas nunca utilizar parcerias para as core competencies.
  3. Investimento em alianças estratégicas. Borrowing através de alianças mais profundas para alcançar recursos “especiais” quando ambas as partes têm objetivos complementares.
  4. Procura ativa de fusões e aquisições. Operações de M&A é o buying desta trilogia para o crescimento. Estas farão sentido quando se antecipa a necessidade de liberdade e controlo para implementar mudanças importantes que favoreçam o crescimento, ao mesmo tempo que se retêm as pessoas chave.

O verdadeiro desafio destas estratégias (e talvez por isso sejam menos utilizadas) passa por perceber quando atacar umas e quanto bater em retirada de outras. Este é o risco que poucos entrepreneurs estão dispostos a correr.

Tal como em qualquer empresa madura, qualquer startup deve procurar ter um constante pipeline de alternativas para crescer com aquele objetivo de world domination. Isto requer não apenas um foco constante, mas também manter bem oleadas um conjunto de ferramentas que permitam fazer coisas como:

  • ‘Aproveitamento’ dos superstars internos. É frequente uma Startup ter dificuldades em reter pessoas-chave. Em vez de obrigar os superstars a assinarem acordos de não-concorrência, porque não criar sistemas de incentivo e maneiras criativas que ‘obriguem’ esses superstars a trabalharem mais, mas a favor da startup?
  • Busca externa. As startups não têm capacidade, pelo menos numa fase inicial, para pagar uma equipa de business development, recaindo essa tarefas no “CBO” (ou seja, no CEO). Porque não utilizar a rede de contactos ou mentores como business developers? Eles podem ajudar a identificar recursos externos, potenciais parcerias e até oportunidades de aquisição.
  • Spin-in. E porque não estabelecer um conjunto de milestones com uma outra empresa que desencadeie, uma vez atingidos esses milestones, o estabelecimento de uma parceira estratégica ou um processo de integração?

Exemplos de startups que conseguiram perceber os benefícios desta visão, digamos, holística de como fazer crescer um negócio: o consórcio HotelUp e a aquisição da PepFeed pela Followprice.

Não há qualquer dúvida que o entrepreneur que consiga gerir, qual estratega do risco, um maior número de alternativas para o crescimento da sua startup, tem uma vantagem competitiva. Esta capacidade é uma habilidade, mas também uma disciplina que qualquer entrepreneur digno desse nome precisa desenvolver e cultivar ao longo do tempo.

Nota: Caso tenha questões que gostasse de ver esclarecidas ou temas que gostasse de ver abordados envie o seu e-mail para startups@eco.pt.

  • Francisco Martins Caetano

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