Poderá estar no online o impulso que a economia precisa?

Os dispositivos conectados estão a mudar tudo o que sabemos sobre compras e pagamentos - os pagamentos online e através do telemóvel são apenas o começo.

Subitamente, e sem que nada o fizesse prever, o mundo teve de se adaptar a uma nova realidade. Se até há pouco eram praticamente impensável sermos privados da nossa liberdade, a verdade é que rapidamente soubemos adaptar-nos às novas formas de conviver, trabalhar e comprar. Esta última, levou a que as empresas tivessem de repensar modelos de negócio, gestão de stock e expedição de produtos, para acomodar a avalanche de pedidos online.

As pequenas e médias empresas, pedras basilares da economia nacional, estão a passar por um período de adaptação particularmente difícil, maioritariamente porque o comércio online passou a ser o maior aliado dos Portugueses. Este facto colocou uma pressão adicional na presença online de empresa e fê-las tomar consciência de que é imperativo criar estratégias omnicanal coesas que integrem de maneira uniforme vendas físicas e on-line.

Com as restrições sanitárias impostas, os consumidores estão a procurar boas experiências de compra online como nunca antes, e esta realidade deverá perdurar no futuro. A Visa através do conhecimento acumulado e dos dados que dispomos, temos ajudado empresas em todo o mundo a fazerem esta mudança para o online de forma quase natural, numa alturar em que as PMEs tentam recuperar de um período inédito na história mundial, e que obrigou muitas delas a adotar o comércio digital da noite para o dia.

Tomando como exemplo o setor das fintech, através do nosso Programa Fast Track, que integra atualmente mais de 140 empresas em todo mundo, pudemos verificar que muitas delas ganharam repentinamente um papel de destaque através do utilização massiva das suas apps móveis. A questão é que muitas delas, independentemente do sector, não dispõe das ferramentas necessárias para escalar os seus negócios, aproveitando as oportunidades que esta escalada digital traz. É nesse sentido que a Visa tem vindo a guiar empresas, dando-lhes as ferramentas necessárias para prosperar num mercado tão competitivo como o atual e responder às exigências dos consumidores, particularmente no que diz respeito ao e-commerce.

O relatório publicado recentemente pelo Banco de Portugal demonstra que, no ano passado, a utilização do Contactless e as compras online cresceram a dois dígitos. O número de compras online com cartão aumentou 43%, enquanto o valor destas compras subiu 28%. Ainda assim, estes métodos de pagamento continuam a ser um pequena parte do sistema global. Isto poderá significar uma oportunidade perdida para o mercado Português já que, segundo a Gartner, em 2021 haverá 25 mil milhões de dispositivos com ligação à Internet, o que significa 7 mil milhões de telemóveis que podem ser utilizados para fazer pagamentos, e como tal o e-commerce vai ter um impacto profundo nos negócios e no setor dos pagamentos.

Nesse sentido, devemos trabalhar para esclarecer os consumidores sobre as vantagens e produtos que garantem a segurança total das transações feitas online. Como exemplo, no final do ano passado, a Visa publicou um estudo realizado pela Ipsos Apeme que concluiu que 70% dos inquiridos admitem efetuar compras online mas apenas 19% revela recorrer ao cartão de débito. O estudo demonstrou ainda que 40% dos consumidores que fazem compras online confessam não saber ou acreditar na possibilidade de efetuar compras online através do cartão de débito. Uma maior harmonização e conhecimento do e-commerce pode contribuir para o crescimento económico dos comerciantes uma vez que estudos mostram que o tempo de checkout pode ser reduzido em 85% e, por sua vez, o abandono do carrinho está previsto diminuir até 70%.

Ainda assim, não deixa de ser menos verdade que precisamos de voltar a uma normalidade e de impulsionar o comércio local para garantirmos a sustentabilidade da nossa economia. Certamente que o faremos de forma diferente, e com grande influência do digital. É aí que reside a grande vantagem de métodos como o Contactless já que implica menos contacto com o terminal de pagamento, já que os consumidores podem manter o cartão nas mãos durante todo o processo. Essa aposta está também patente no aumento do limite dos cartões Contactless de 20 para 50 euros que está a ser adotado em vários países europeus, incluindo Portugal, e que permite aos consumidores efetuarem pagamentos com mais facilidade, rapidez e segurança, sem precisar de inserir o código PIN.

Não são apenas os pagamentos físicos que estão a evoluir rapidamente. Até ao final do ano, os pagamentos online com cartão vão sofrer alterações para terem uma nova camada de segurança no seguimento da directiva PSD2. A partir de 2021, dados dos cartões de crédito como o número de cartão e a data de validade vão passar a ser inválidos para compras a partir da internet. A autenticação passa a ser feita através de dois elementos, no mínimo: algo que só o utilizador conhece como uma palavra-passe, algo que só o utilizador possui como um telemóvel ou algo inerente ao utilizador como uma impressão digital (biometria). Esta autenticação forte passará a ter de ser aplicada também aos pagamentos com cartão feitos online para além do acesso à conta bancária online, onde esse processo de autenticação já é exigido.

Estamos a entrar numa nova era de pagamentos. Os dispositivos conectados estão a mudar tudo o que sabemos sobre compras e pagamentos – os pagamentos online e através do telemóvel são apenas o começo. A próxima fase de pagamentos está a ser impulsionada em grande parte pela tecnologia móvel e novas tecnologias de pagamento flexíveis e abertas que permitem a criação de formas inovadoras de pagamentos. A tecnologia de tokenização, por exemplo, vai desempenhar um papel fundamental na segurança dos pagamentos, à medida que se expandem exponencialmente no espaço digital para mais e novos tipos de dispositivos conectados.

Nós antecipámos estas mudanças e temos vindo a trabalhar para garantir que essas mudanças sejam tão confiáveis, seguras e benéficas para todos tanto no mundo digital como no mundo físico.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Poderá estar no online o impulso que a economia precisa?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião