Post-Purpose Brands. E pensar que 2 semanas foi a “digital lifetime ago”

Connect. Imagine. Create. Porque haverá o regresso à normalidade. E haverá planos alternativos para uma realidade alternativa àquela que se planeara para 2020.

“Intentions yes, predictions no.” A expressão é de Marian Salzman, trendsforecaster e atual vice-presidente global de comunicação da Philip Morris, num texto que partilhou nas redes sociais sobre liderança em tempos de pandemia. Não podia estar mais de acordo. O mundo mudou demasiado rápido em poucas semanas e mais do que certezas, há questões. Na nossa vida, na vida dos negócios.

O que já sabemos: a tecnologia provou o seu ponto. Se quisermos, o seu propósito. Trabalhamos a partir de casa, compramos on-line e mantemos o contacto social possível. Até houseparty fazemos. Há aulas digitais, entretenimento e cultura. Há quem lhe chame – a estes tempos de isolamento e de pandemia, a verdadeira revolução digital. A última crise global que vivemos em 2008, foi a “digital lifetime ago”, nos primeiros anos do iPhone, quando o Facebook tinha 100 milhões de utilizadores – hoje somos 2,4 mil milhões. E a verdade é que, entre intenções e previsões, mesmo os gestores e marketeers que passaram por essa crise não se podem dar ao luxo de dizer “been-there-done-that” – ajuda, mas a verdade é que para já não há um roadmap para uma crise como esta. O digital é a nova forma de proximidade. O novo modelo de socializar. O novo ambiente para os eventos, para criar conteúdos e interagir com os consumidores. Nestes tempos incertos, a comunicação é mais do que estratégica na criação de valor de marca. Sem otimismos cegos, encontrando o tom certo.

O que por cá vemos: as marcas a assumirem o seu papel de proximidade. O Continente, o Turismo de Portugal, a Worten, os CTT (entre outras…) tudo campanhas literalmente homemade, com mensagens que nos querem ajudar a compreender o momento que se vive ou como podem continuar presentes, nas nossas vidas em tempos de isolamento físico. Vemos novos hábitos de consumo de media. Como o regresso dos jovens à televisão e a entrada dos mais seniores no digital. E assistimos ao aparecimento de Civic Brands, que usam a sua experiência, os seus canais e serviços e os colocam ao serviço do Governo e das comunidades, do setor têxtil e calçado até ao das cervejas.

O que não sabemos. O The Future Laboratory aponta como nova Macro Tendência – Post-Purpose Brands. Ou seja, iremos passar à fase pós-propósito, com as marcas a usarem tecnologias mais intuitivas e novos produtos e serviços que respondam às necessidades dos consumidores. Uma revisão no fundamento que passa de uma finalidade para uma melhoria imediata. Aceitando as suas imperfeições e concentrando-se no sentido de “betterment”.

Connect. Imagine. Create. Porque haverá o regresso à normalidade. E haverá planos alternativos para uma realidade alternativa àquela que se planeara para 2020. Por aqui, por agora, interagimos, imaginamos e criamos com duas novas descobertas: a School of Speculation e a Plurality University. Quem sabe, um pós-propósito na educação.

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António Costa
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