Restaurantes abertos, na rua ou em casa

  • Rui Bento
  • 25 Outubro 2020

O delivery deixou de ser uma opção para se tornar numa obrigatoriedade. Na forma de sobreviver e de manter as portas abertas dos restaurantes, mesmo quando os clientes deixam de passar por elas.

A maioria dos nossos restaurantes preferidos está em risco de fechar e de não conseguir voltar a abrir. Este é mais um dos danos que a pandemia COVID-19 poderá vir a causar. As entregas de comida em casa terão um papel fundamental na sobrevivência de muitos restaurantes. E devolver aos restaurantes o controlo das suas entregas poderá ser uma parte importante da solução.

Ao longo dos últimos dez anos, a entrega de comida com recurso a aplicações móveis tem crescido a um ritmo elevado em todo o mundo. Portugal não é exceção. Em poucos anos, o delivery passou de panfletos de pizzarias pendurados nas portas dos nossos frigoríficos, com números de telefone começados em “808” escritos em letras garrafais, para aplicações para telemóvel que, de forma quase instantânea, nos passaram a ligar a dezenas ou até centenas de restaurantes na nossa cidade.

As aplicações de delivery foram rapidamente adotadas pelos restaurantes mais variados – desde as cadeias internacionais de fast-food, até aos restaurantes de bairro. No entanto, muitos restaurantes, especialmente aqueles que frequentemente apelidamos de “os nossos preferidos”, passavam ao lado desta tendência em rápido crescimento. Até que tudo mudou abruptamente. A 18 de março de 2020, Portugal entrou em estado de emergência. Os restaurantes fecharam. Aconteceu aqui, e aconteceu por todo o mundo.

A restauração é um dos setores que mais sofre com um confinamento. O restaurante médio consegue sobreviver apenas 16 dias com as suas portas fechadas, segundo um estudo da JPMorgan Chase Institute. E, de acordo com um estudo feito para a Coligação de Restaurantes Independentes dos E.U.A., 85% dos restaurantes independentes podem não voltar a abrir. Este cenário terá um impacto profundo na economia. Por um lado, são mais de 240 mil os empregos em risco de pessoas que trabalham diretamente na restauração em Portugal e, segundo resultados do último inquérito mensal da Associação da Hotelaria Restauração e Similares de Portugal, 40% das empresas de restauração e bebidas já apresentam níveis preocupantes de despedimentos. Por outro, há o perigo de um efeito dominó que pode afetar os setores de produção alimentar, agricultura, pescas, bebidas, transporte de alimentos, entre outros.

E assim, com uma pandemia global que levou a um encerramento local de restaurantes e cafés, e a uma reabertura acompanhada de medidas restritivas e do receio das pessoas em comer fora, o delivery deixou de ser uma opção para se tornar numa obrigatoriedade. Na forma de sobreviver e de manter as portas abertas, mesmo quando os clientes deixam de passar por elas.

Hoje, não é o luxo de ter a comida dos nossos restaurantes favoritos em casa que está em causa. É a existência desses mesmos restaurantes. Esta situação tem transformado não só a indústria da restauração, como também um conjunto de startups que, como a Kitch, procuram devolver aos restaurantes o controlo das suas entregas – dando-lhes ferramentas que lhes permitem alcançar mais pessoas, ter uma relação mais próxima com os seus clientes fiéis, e reduzir os custos elevados que o delivery muitas vezes representa. Tudo num esforço para manter os restaurantes que adoramos de portas abertas, nas nossas ruas.

Ao mesmo tempo, todos temos um papel importante a desempenhar. Pôr uma máscara e ir buscar comida ao nosso restaurante favorito do bairro. Pegar no telefone ou ir ao site do restaurante para pedir uma refeição para recolher no espaço ou receber em casa. Ou até usar as aplicações de entregas. Todos estes gestos podem fazer a diferença para manter os nossos restaurantes de sempre connosco.

  • Rui Bento
  • CEO Kitch

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