Rio, Montenegro, Pinto Luz e Passos Coelho

Os sociais-democratas aguardam para que Pedro Passos Coelho volte a liderar o partido. Sim, Rio e Montenegro são apeadeiros sem história.

Recordam-se daquela cena dos “Salteadores da Arca Perdida” em que para mal dos seus pecados, Indiana Jones, no Egipto, depara com uma das suas fobias ao cair mesmo num poço repleto de cobras? É o PSD. As cobras, naturalmente, não a personagem de Harrison Ford que por lá não existe ninguém neste momento com tal carisma. A um mês das directas, o partido está entretido naquelas quezílias habituais nos sociais-democratas, não tão épicas como no passado, pois as “personas” envolvidas não têm a densidade nem a energia de outros tempos e outras compitas. E também porque a maior parte das pessoas está a marimbar-se para esta coreografia de combate pois não se revêem muito em qualquer dos três candidatos.

«Se um homem é atreito às suas vinganças, pô-lo em lugar de autoridade é pôr uma espada na mão de um furioso», escrevia no seu “Testamento Político” (edição Temas & Debates), Armand-Jean du Plessis, o famoso cardeal Richelieu, o homem do «jogo duplo», um dos mais astutos governantes pelo seu conhecimento do poder e da natureza humana.

Ora, Rui Rio há muito que parece estar num estado de vingança. Contra o próprio partido, contra a Maçonaria e poderes ocultos, contra a comunicação social, contra os vultos desconhecidos e às vezes contra a sua própria cabeça. Mas, sobretudo, contra os portugueses, pois, estes deram-lhe uma valente tareia nas legislativas acabando assim com o mito do “homem que nunca perdeu eleições”, algo do qual se gabou – somando apoios com isso – e aproveitou subliminarmente na disputa que teve anteriormente com Santana Lopes.

Nessa altura, num partido à míngua de poder, e ainda está mais sedento agora pois não se vê um oásis à vista, essa promessa implícita na sua narrativa foi boa conselheira até ao Outubro do seu descontentamento com um dos piores resultados de sempre do PSD. E como Paulo Portas, ficou. Sem vislumbrar que o problema é ele, sem assumir os erros de uma estratégia que poucas vezes hostilizou o PS, como se nos seus sonhos residisse uma Grande Coligação como a da Alemanha que juntou os dois maiores partidos históricos, CDU e SPD e ele fosse a outra face dessa aliança com o PS. Dizem que mantém o apoio dos presidentes das maiores distritais, tem consigo gente que conhece o aparelho a preceito, porém, o PSD de Rio será orgulhosamente só, a diminuir a conta-gotas, a perder os centros urbanos e sem a alma que lhe pode trazer as forças vivas da sociedade, os empreendedores, a juventude que olha para aquele senhor que não gosta de Lisboa e não tem prazer em ser deputado como um dinossauro que já não faz nenhum sentido.

Luís Montenegro é uma pessoa simpática, foi um bom líder parlamentar e julgo que era aí o seu máximo alcançável, um dia mais velho podia ser presidente da Assembleia da República e teria uma carreira feliz. Mesmo com media-training que lhe impôs aquele sorriso que exibe até num funeral, porque já não o consegue tirar mais, pois é uma pessoa obediente; com os implantes capilares que lhe reforçaram o “boneco”; sem esquecer o curso de liderança que também lhe mandaram fazer, e ele obedientemente cumpriu, como se um líder precisasse de aprender a ser líder, o que é certo é que basta olhar para ele ou espremer um pouco daquilo que diz para sentirmos e obtermos um vácuo. Dali não vem nada. Já perdeu em Espinho, quando se candidatou à edilidade, e saiu pela porta pequena naquela manobra muito amadora de tomar o poder num Conselho Nacional, como Costa realizou com Seguro, sem ter tropas nem o talento suficiente para usar um “stiletto” pois é evidente nele a ausência da argamassa de “killer-instinct” que é fundamental num líder.

Miguel Pinto Luz não preside à sua autarquia. É vice, mas não nasceu para aio. Tem trabalho próprio, contudo, a sua notoriedade é quase nula. Tem um enorme défice de imagem, apesar de estar a ser tratado nos media no mesmo patamar dos rivais o que lhe aumenta a sua “gravitas”. A sua maior vantagem em comparação com os adversários é que consegue congregar mais apoios de gente que estava desiludida com o PSD, de quadros médios e superiores que fugiram do partido e de empresários que reconhecem a sua acção com o projecto DNA em Cascais. Devia ter vindo a jogo em 2018 marcar o seu terreno geracional, no entanto, ao contrário de Rio e Montenegro o seu prazo não acaba nesta eleição e é esse o seu amuleto para um amanhã que lhe pode sorrir.

E não podemos deixar de mencionar três homens. Quem prefere António Costa sentado na São Caetano? A variável conhecida ou a incógnita? Presumo que, sorridente, esteja muito tranquilo com o que conhece e já derrotou sem piedade; e é tempo de alguém questionar os três candidatos, pois o CDS está morto e só os que lá gravitam ainda não perceberam esse facto consumado, sobre qual deles estará disponível para se coligar com a formação que mais irá crescer em breve, o Chega, de André Ventura, se houver oportunidade de Governo.

O PSD parece que está num purgatório. Isto é, se continuar a definhar cai num Inferno difícil de sair, e só chegará ao Céu de novo com vitórias. Os sociais-democratas aguardam por essa estação para que, de chapéu e chicote na mão, como Indiana Jones, Pedro Passos Coelho volte a liderar o partido. Sim, Rio e Montenegro são apeadeiros sem história.

Nota: O autor escreve segundo a antiga ortografia

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