“Rolo compressor” da maioria faz terraplanagem no Montijo e Alcochete

Afinal, não vamos ter 1 aeroporto, vamos ter 3. É no mínimo patética a forma leviana como em Portugal se fazem e desfazem planos para construir aeroportos.

O novo aeroporto de Lisboa é uma espécie de obra de Santa Engrácia. Há 50 anos que o país anda a discutir a localização de uma alternativa para a Portela e já foram estudadas 17 localizações possíveis.

E dizer isto é uma falta respeito para com as obras de Santa Engrácia. Porque estas últimas são obras que começam e nunca mais acabam. O novo aeroporto nem sequer começou a ser feito. Nem na Ota, nem em Rio Frio, nem em Alcochete, nem no Montijo.

50 anos depois, os dois maiores partidos, PS e PSD, chegaram finalmente a um consenso na anterior legislatura. O Governo combinou com o PSD de Rui Rio fazer uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) para estudar três opções: 1) Portela como aeroporto principal, Montijo complementar; 2) Montijo principal, Portela complementar; 3) Campo de Tiro de Alcochete. A AAE seria a moeda de troca para o PSD ajudar o PS a aprovar no Parlamento uma lei que impeça os autarcas de poder vetar a construção do novo aeroporto.

Do nada, e sem estudo absolutamente nenhum, o Governo resolve mandar a Avaliação Estratégica às urtigas e avançar com uma nova solução que vai implicar a convivência em Lisboa não de 1, não de 2, mas de 3 aeroportos.

Primeiro, o Governo avança com obras no Humberto Delgado no sentido de aumentar a capacidade para evitar os atrasos, que não se devem só ao SEF. São 200 a 300 milhões de euros. Depois, faz um aeroporto low cost no Montijo, com uma pista apenas, e que ficará pronto em 2026. São mais 600 milhões de euros. E, finalmente, avança com um novo aeroporto em Alcochete, que custará mais 4 a 5 mil milhões de euros.

Não há fome que não dê em fartura. De nenhum aeroporto vamos passar a ter três. O mais patético é depois de Alcochete estar pronto, o Humberto Delgado é desmantelado, e o aeroporto do Montijo também será destruído para ficarmos com apenas um grande aeroporto, com quatro pistas, tal como sucede atualmente em Barajas, Madrid.

Esta opção levanta várias questões:

1) Em que estudo se baseou Pedro Nuno Santos para avançar com esta opção?

2) O que aconteceu à promessa de António Costa que disse que as grandes obras públicas tinham de ter o consenso de dois terços do Parlamento. Aparentemente, nem Rui Rio, nem Montenegro foram consultados sobre esta nova solução.

É caso para dizer que o “rolo compressor” da maioria absoluta foi visto no Montijo e em Alcochete a fazer terraplanagem.

3) Do ponto de vista ambiental, faz sentido construir um aeroporto no Montijo e depois destruí-lo em menos de uma década?

4) A opção Alcochete implica uma terceira travessia sobre o Tejo, que ligue Chelas ao Barreiro. Faz sentido do ponto de vista económico e ambiental?

Nada disto faz muito sentido. Por este andar, vamos estar mais 50 anos a discutir o novo aeroporto. E como um certo dia disse um socialista cheio de certeza que o aeroporto deveria ser construído na Ota, por este andar ‘jamais’ iremos ter um novo aeroporto em Lisboa.

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