Sai um caviar para a mesa do Bloco. Paga o Ricardo Robles

Ricardo Robles não é um especulador. Quanto muito hipócrita. É o que os franceses chamam de 'avoir le cœur à gauche, mais le portefeuille à droite'

Esquerda caviar é um termo pejorativo importado de França (gauche caviar) e que serve para descrever um político mais à esquerda, mas que leva uma vida de luxo e glamour.

Explica-nos a Wikipédia que o termo indica que os membros da esquerda caviar não são sinceros nas suas crenças, uma vez que pregam uma coisa (uma sociedade socialista) e, de maneira hipócrita, fazem outra completamente diferente (beneficiando do sistema capitalista). É o que os franceses chamam de ‘avoir le cœur à gauche, mais le portefeuille à droite‘.

Esquerda caviar é usado em Portugal quando alguém quer referir-se pejorativamente ao Bloco de Esquerda, porque supostamente grande parte dos seus dirigentes e apoiantes vem de classes sociais mais favorecidas.

Que o diga Ricardo Robles. Conta-nos hoje o Jornal Económico que o vereador da Câmara de Lisboa e a irmã compraram em 2014 à Segurança Social um prédio em Alfama por 347 mil euros, investiram 650 mil de euros e, em 2017, colocaram-no à venda por 5,7 milhões. Se o negócio se concretizar terá uma mais-valia de 4,7 milhões de euros, ou seja, uma rentabilidade de 470%.

Há duas formas de olhar para isto. A primeira é a forma normal e sensata: Ricardo Robles fez o que qualquer um de nós faria. Comprou um imóvel, aproveitou a euforia no mercado imobiliário e revendeu-o com uma mais-valia choruda para ele e para a irmã.

A segunda forma de olhar para o assunto é à Bloco de Esquerda: como escrevia hoje Joaquim Sarmento no Twitter, “até podíamos ser demagogos como o Bloco e dizer que para ganhar 4 milhões € uma pessoa que receba o SMN demoraria 595 anos”.

Mas esta não é a forma correta de olhar para o tema. Ricardo Robles fez o que qualquer um de nós faria. O que nem todos nós faríamos era pregar e fazer campanha contra o que chamam de especulação imobiliária para depois andarmos a comprar barato e a vender caro com o intuito de obter um lucro fácil.

  • “Precisamos de uma Câmara amiga das pessoas e não dos especuladores”
  • “Não é possível repovoar o centro de Lisboa quando a esmagadora maioria das intervenções de reabilitação urbana é para hotéis de luxo ou premeia a especulação imobiliária, o que agrava o valor das rendas”.
  • “Mas é na vereação que a presença do Bloco pode desequilibrar a relação de forças no executivo a favor dos lisboetas em vez dos especuladores. Vamos lutar por isso”.

Estas são algumas frases que Ricardo Robles deverá estar a engolir nesta altura, numa banquete de caviar, regado com muita hipocrisia.

Este artigo não é sobre especulação imobiliária, nem sobre a bolha, nem sobre a verticalização ou a ‘gentrificação’ dos centros urbanos. E muito menos sobre a lei que congela os despejos aprovada no Parlamento com os votos do Bloco de Esquerda e que coloca os proprietários a financiar a política social que deveria ser feita pelo Governo. Este artigo é apenas sobre hipocrisia.

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