Sempre imaginei que o paraíso seria uma espécie de biblioteca*

  • Mónica Marques
  • 12 Setembro 2020

Abrir a nossa biblioteca é uma coisa tão íntima e secreta como deixar entrar outra pessoa na nossa cabeça para que tome posse do nosso coração.

“Tudo começou quando Alberto Manguel tinha 16 anos, andava na escola e trabalhava numa livraria em Buenos Aires, chamada Pygmalion; Jorge Luis Borges entrava na Pygmalion ao final da tarde, (…) certo dia, depois de escolher alguns livros, perguntou ao jovem Alberto Manguel se podia ler para ele à noite, pois estava a ficar cego(…)”

Saber que um homem sábio e sensível como Alberto Manguel, vai doar a sua biblioteca à Câmara Municipal de Lisboa, é a coisa mais parecida com a ideia que tenho do amor, nestes tempos de cólera e mentira. Desculpar-me-ão o trocadilho sensível, de gosto duvidoso, se tiverem um amor tátil aos livros e conseguirem antever o prazer de entrar no Palácio dos Marqueses de Pombal, à Rua das Janelas Verdes, para descobrir estantes novinhas em folha onde sorrateiros poderemos espiar as manias e o gosto do senhor que aos dezasseis anos lia, em voz alta, todas as histórias dos livros que Borges desejava ler e aos vinte, para sobreviver, vendia cintos criados por ele próprio, em Carnaby St. Querem mais eclético? Chegámos ao paraíso.

Os 40 mil livros já estiveram encaixotados num presbitério do Vale do Loire e depois trancafiados num lugar qualquer escuro no Canadá até ao “milagre” de viajarem agora para Lisboa. Querem mais coisas belas? Mick Jagger também já usou um “cinturón Manguel”, durante um show dos Stones.

Entre os membros do Conselho Honorário do futuro centro de estudos que tem por base esta coleção, contam-se escritores como Olga Tokarczuk (Prémio Nobel da Literatura de 2018), Salman Rushdie, Margaret Atwood e o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, Prémio Camões 2019, bem como o poeta e cardeal Tolentino de Mendonça, atualmente Arquivista e Bibliotecário do Vaticano. Tudo, todos pessoas cultas, límpidas e capazes de fazer de Lisboa uma cidade de encontros, epifanias, revelações e amizades invulgares.

Abrir a nossa biblioteca é uma coisa tão íntima e secreta como deixar entrar outra pessoa na nossa cabeça para que tome posse do nosso coração.

Há um ano, quando conheci a Catarina, o amor da minha vida, pedi-lhe, numa carta, que viesse viver comigo e acrescentei que, de repente não conseguia ver nada que me fizesse mais feliz do que misturarmos os nossos livros. Esta notícia é um grande presente.

Bárbara Bulhosa e Fernando Medina isto sim, foi de valor. Thanks!

*Jorge Luis Borges

 

  • Mónica Marques

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