Só há um verdadeiro candidato: Marcelo

Os debates televisivos das presidenciais tiveram o condão de demonstrar que a maior parte dos candidatos desconhece o papel que assume o mais alto Magistrado da Nação.

Como o gestor que quer recrutar os melhores para a sua organização, também eu escolho, em cada eleição presidencial, a personalidade que me parece reunir as melhores condições para exercer o cargo de Chefe do Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas do meu País; órgão de soberania consagrado na Constituição da República Portuguesa (CRP).

Ao Presidente da República cabe manter “a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas” (art.º 120.º da CRP). Nomeia o Primeiro-Ministro “ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais” (art.º 187.º), cabendo-lhe também a tarefa de “nomear e exonerar os membros do Governo, sob proposta do Primeiro-Ministro” (art.º 133.º, alínea h)). Pode “dissolver a Assembleia da República” (art.º 133.º, alínea e)) e “demitir o Governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado” (art.º 195.º, n.º 2).

Os debates televisivos das presidenciais tiveram o condão de demonstrar que a maior parte dos candidatos desconhece o papel que assume o mais alto Magistrado da Nação. Em jeito de promessa eleitoral, uns vieram propor mais investimento no SNS, ao passo que outros pretendem um maior aumento do salário mínimo. Há ainda quem tenha assumido que reduzirá a despesa com o RSI e que aumentará a pena máxima de prisão prevista em Portugal, mas também quem tenha dito que quer reduzir o peso do Estado na economia. Esqueceram-se, no entanto, de algo fundamental: O Presidente não governa, não legisla, não julga, nem condena. Deve ser um árbitro imparcial e equidistante dos partidos que procura garantir, através do seu poder de influência, o normal funcionamento do País.

Admito que dê imenso jeito o tempo de antena e a visibilidade pública de uma candidatura às presidenciais, mas fazer campanha como se a corrida fosse para São Bento e não para Belém é um sinal de que se está a competir com a cabeça noutro lugar. Dá ideia de que Ana Gomes se apresentou a jogo, para se valorizar enquanto activo do PS, já a pensar na futura disputa interna do seu partido (o apoio de Pedro Nuno Santos não terá sido por acaso). André Ventura, João Ferreira, Marisa Matias e Tiago Mayan querem aproveitar a ocasião para fazer crescer os seus partidos (há quem questione se o CDS não deveria ter seguido a mesma estratégia…). Ao que parece, Vitorino Silva candidatou-se para chamar a atenção para o grave e antigo problema da desvalorização do interior do País.

É óbvio, principalmente para quem assistiu aos debates, que Marcelo é o único verdadeiro candidato nestas eleições. Independentemente das críticas que lhe possam ser feitas, como a excessiva colagem ao Governo, trata-se do candidato que reúne as melhores condições para exercer o cargo que já ocupa. Acredito, aliás, que o seu peso político, a sua moderação, o seu carisma e o seu humanismo cristão serão decisivos para enfrentar os enormes desafios sociais e económicos que infelizmente nos esperam.

Nota: O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

  • Economista, Professor do Ensino Superior e Investigador Académico

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