Tem mais de 45 anos? Pode ser um “Boomfluencer” e não sabe

Quando, no início do ano, se questionava qual o futuro do marketing de influência, ou se estaria a chegar ao fim, há agora novos indicadores. Entrámos na era da "glamorisation of education".

O ano tem sido cheio de surpresas, vamos concordar. Na grande maioria com más notícias de um mundo doente e com a promessa de um futuro incerto. Mas, ainda que as nossas vidas pareçam estar numa espécie de pausa, o mundo não parou. E há novos fenómenos que merecem a nossa atenção — e a das marcas, como a chegada dos “Boomfluencers”.

A começar no casal sensação deste verão: dois octogenários de Taiwan com um “killer style” e uma conta no Instagram já com mais de 640 mil seguidores, embora, aos dias de hoje, tenha apenas 27 publicações. O que fazem? Wanji e Sho-er são proprietários de uma pequena lavandaria — e o neto, que lhes criou a conta, fotografa-os com peças esquecidas pelos clientes.

Estratégia: pegar em roupa esquecida, um neto com uma boa ideia, o propósito de devolver aos avós a alegria de viver, uma máquina fotográfica e um negócio que chamou a atenção do mundo.

Chamam-lhes “Boomfluencers”, pessoas com mais de 45 anos, digitalmente ativos, e que, por exemplo, já representam 17% das visualizações de vídeos no YouTube. Mas, tal como os avós de Taiwan, são também criadores de conteúdos e estão a conquistar um espaço até aqui reservado aos mais jovens. E, como em quase tudo, a escala conta, nos Estados Unidos já se tornou numa forma de “salário” para muitos destes novos influencers, pagos de acordo com o número de visualizações.

Entre este novo fenómeno estão nomes como Margaret Manning, que oferece aos seus 115 mil subscritores dicas de estilo no canal “Sixty and Me”. E até já há casos de sucesso na rede mais jovem, o TikTok, inclusive com “Boomfluencers” a terem parcerias com marcas. O segredo parece estar na criação de conteúdos com curadoria, educativos e reais.

Quando, no início deste ano, se questionava qual seria o futuro do marketing de influência, ou se estaria a chegar ao fim a era da influência, há novos insights numa sociedade que continua a ser social e aspiracional. No relatório da WGSN – “Tracking the Influencer Evolution 2020”, recuamos até 2010 e à transformação da influência, num mundo digital onde reinavam as celebridades e que era definida pela economia aspiracional. A partir de 2015, com a massificação dos smartphones, todos contribuímos para a partilha e o consumo e ajudámos a construir uma economia monetizada.

Entrámos, depois, na fase da inspiração. Uma mudança na mente do consumidor de conteúdos, que acusava alguma “fadiga visual”, fadiga essa que se traduziu em diferentes formas de consumo. E, num ano único para o mundo, em que confinámos e desconfinámos, segundo a WGSN 2020 “it’s all about information”. Com algoritmos que nos alimentam. Quando o excesso de informação nos leva a questionar o que é ou não verdade, a influência hoje é sobre o valor da informação. Seguimos “os nossos pares num modelo horizontal, em vez de aspiracional e hierárquico”.

É esse, talvez, o espaço que ocupam os “Boomfluencers”, pessoas mais experientes, reais, que surgem com conteúdos educativos, com factos e histórias de vida. Seja numa publicação no Instagram ou num vídeo no TikTok, e basta procurar, porque não há só casais cool’s. Há cientistas, professores, especialistas das mais diversas áreas com vontade de partilhar conhecimento. Já se escreve que é a entrada na era da “glamorisation of education“.

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