Uma viagem à campanha de fundraising da Nova SBE

A campanha de angariação de fundos conseguiu muito mais do que financiar o novo campus, tirou a Nova SBE da sua Torre de Marfim e abriu a escola a mil e um projetos com parceiros.

O novo campus da Nova School of Business & Economics em Carcavelos foi inaugurado no passado dia 29 de setembro. Fizemos uma grande festa, que juntou toda a comunidade – alunos, staff, professores, antigos alunos e amigos – para celebrar e agradecer às empresas e pessoas que doaram 46,5 milhões de euros para a sua construção. Penso que esta seja a maior iniciativa que a sociedade civil alguma vez teve em Portugal relativamente à educação e ao desenvolvimento de talento.

Há pouco mais de cinco anos, tornou-se óbvio que a escola precisava de um novo campus para continuar na sua trajetória de crescimento e internacionalização. A Câmara Municipal de Cascais apoiou-nos desde sempre, oferecendo o terreno e abrindo os braços a um sem número de iniciativas conjuntas, com o objetivo de criar uma nova centralidade no concelho, rejuvenescer a população e desenvolver conhecimento. Mas rapidamente se tornou claro que, nesses anos da Troika, o Estado central não poderia apoiar este esforço de investimento. Lançámo-nos, portanto, numa campanha de fund raising privada. Contactámos mais de 600 empresas e muitos milhares de pessoas. Partilhámos o sonho e propusemos parcerias. Criámos uma comunidade.

Em 2015, com a Câmara Municipal de Cascais, o Banco Santander, o Grupo Jerónimo Martins e a Família Soares dos Santos, criámos a Fundação Alfredo de Sousa – em homenagem ao fundador da escola – para liderar a campanha e desenvolver o campus. Uma fundação privada, sem fins lucrativos, cuja única missão é apoiar a Nova SBE – que por sua vez é uma instituição pública, parte da Universidade Nova de Lisboa.

Desde então, recebemos o apoio de 46 empresas, que doaram 40 milhões de euros, e de 1632 pessoas, que doaram mais de 6 milhões de euros. Pessoas e empresas que gostaram do projeto e quiseram fazer parte da sua história.

O nosso campus reflete este apoio extraordinário. Os edifícios chamam-se Hovione Atrium, Cascais Academic Hall, CTT Student Hall, Santander Academic Hall, Ming Hsu Executive Hall, Jerónimo Martins Grand Auditorium e Teresa e Alexandre Soares dos Santos Library. Os anfiteatros e as salas de aula têm nomes de antigos alunos e amigos da escola, lembram e homenageiam pais e filhos, celebram famílias e a amizade aqui criada. Contam histórias.

Quando uma escola se coloca na disposição de pedir ajuda, muda de personalidade. Quando lançamos uma campanha desta natureza tornamo-nos mais modestos e abrimo-nos ao exterior. E isso aconteceu, está a acontecer e vai acontecer muito mais, porque estamos a desenvolver projetos com cada uma das empresas que apoiam o projeto.

Pedro Santa Clara

Como a história do Janos Meszaros, um húngaro que passa férias em Sintra, que veio visitar a obra um dia. Quando a visita chegou ao fim, Janos disse-nos que gostaria de dar o nome da mãe a uma sala de aula. Pensou um pouco e disse que afinal queria lembrar a alcunha dela. Quando ele e o irmão eram miúdos, a mãe passava a vida a dizer que dava em doida e que eles a levariam para o Asilo Lipótmező. A alcunha dela ficou “Lipót” e, por isso, temos hoje uma sala de aula com o nome do equivalente húngaro de “Hospital Júlio de Matos”.

Este é um exemplo divertido do qual nos orgulhamos muito e que, acima de tudo, tem uma enorme importância no sentido em que dá o exemplo a outros e cria uma nova mentalidade – a de dar de volta à sociedade.

A campanha de angariação de fundos conseguiu muito mais do que financiar o novo campus, tirou a Nova SBE da sua Torre de Marfim e abriu a escola a mil e um projetos com parceiros que multiplicam o nosso impacto na sociedade. Das Conferências do Estoril à Singularity University, dos clubes dos alunos ao Alumni Club, do empreendedorismo à inovação com empresas, a Nova SBE é hoje uma escola mais rica e dinâmica pelos parceiros que tem.

Quando uma escola se coloca na disposição de pedir ajuda, muda de personalidade. Quando lançamos uma campanha desta natureza tornamo-nos mais modestos e abrimo-nos ao exterior. E isso aconteceu, está a acontecer e vai acontecer muito mais, porque estamos a desenvolver projetos com cada uma das empresas que apoiam o projeto. Assim, a nova Nova SBE tornou-se num laboratório vivo. No meio da escola temos um balcão do Santander para pensar no que deve ser o retalho bancário do futuro; temos um posto médico da CUF Saúde que, além de fazer check-ups e curar maleitas, vai tentar promover um estilo de vida saudável no campus; com a Jerónimo Martins, vamos ter uma loja-laboratório que vai ensaiar novos modos de pagamento.

A Fundação Amélia de Mello apoia uma cátedra na área de Liderança ao qual está associada uma grande conferência anual. Com a Brisa estamos a usar o nosso ecossistema de alunos para testar as soluções de mobilidade que estão a desenvolver, tal como o Via Verde Boleias. Na parceria com a McKinsey & Company temos um grupo de sócios a lecionar a cadeira de ‘Management Seminar’ para os nossos alunos de licenciatura. E tantos outros exemplos…

Quando a escola é construída com a ajuda de outros cria uma nova responsabilidade perante eles — a campanha força-nos a ser mais relevantes e faz com que tentemos responder aos problemas da sociedade que nos apoia.

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