“YOLO Economy” será mesmo o momento?

YOLO - Talvez não seja uma economia para todos. É para quem quer. Ou para quem pode.

Li o artigo esta semana no The New York Times, dizia “welcome to the yolo economy” e pareceu-me apropriado “apropriar-me” da ideia neste regresso aos textos de domingo. Mas numa versão mais simples, como se querem as manhãs de domingo.

Depois de um ano fechados, onde a morte e a doença abriram todos os jornais na televisão; quando muitos de nós estamos já em modo “burden out” depois de meses e meses frente aos ecrãs em reuniões que se sucediam umas após as outras, com dúvidas quanto ao nosso futuro no trabalho, com a incerta do nosso futuro económico… há quem esteja com vontade de arriscar tudo! O artigo referia-se à população ativa norte-americana, mas não estaremos todos um pouco com vontade de arriscar? De trocar o emprego confortável por um novo negócio, de finalmente concretizar aquele projeto adiado ou simplesmente trabalhar quando e a partir de onde quisermos? Idealismos pós-pandémicos? Talvez, mas o YOLO pode caber aqui.

YOLO é o acrónimo de “you only live once,” que se tornou popular através do rapper Drake há uma década. “The term is a meme among stock traders on Reddit, who use it when making irresponsible bets that sometimes pay off anyway” lê-se no artigo. Mas será apenas uma atitude do trabalhador entediado nos últimos meses de trabalho, ou será um movimento que aos poucos chegará a todos nós, afinal só vivemos uma vez.

Sabemos que a pandemia ainda não passou e estamos ainda longe de perceber como e se irá voltar a atacar; a vacinação ainda está a decorrer e no meu caso ainda sem data marcada; e embora o futuro traga consigo toda a incerteza e ansiedade, há quem esteja a perder o medo e é com eles que se faz esta economia Yolo. Ao que parece, a pandemia não só acelerou tendências como alterou prioridades e muitos de nós estamos a chegar à conclusão de que queremos vidas diferentes. Porque afinal… amanhã morremos todos…

O artigo faz-me olhar à volta, olhar para o círculo dos que me rodeiam e há de facto um movimento Yolo. Os que querem empregos que lhes tragam mais tempo para a família; os que passaram a valorizar menos a carreira e se viraram mais para o desenvolvimento pessoal; os que estão a procurar novos hobbies; …

Há se quisermos um renovado sentido de criatividade, o oferecermos a nós próprios uma segunda oportunidade. Curiosamente o artigo destaca como palavra para 2021 YOLOing, como a que define a tendência de trabalho, dando como exemplo um estudo recente da Microsoft que aponta que mais de 40% dos trabalhadores mundiais estão a considerar mudar de emprego este ano. “We’ve all had a year to evaluate if the life we’re living is the one we want to be living. Especially for younger people who have been told to work hard, pay off your loans and someday you’ll get to enjoy your life, a lot of them are questioning that equation. What if they want to be happy right now?”diz no artigo Christina Wallace, senior lecturer na Harvard Business School.

YOLO – Talvez não seja uma economia para todos. É para quem quer. Ou para quem pode.

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