Juncker quer duplicar investimento na UE: 630 mil milhões até 2022

Em um ano, atual plano de investimentos europeu já permitiu que mais de 200 mil empresas se financiassem em mais de 116 mil milhões de euros.

O presidente da Comissão Europeia quer duplicar o montante e a duração do atual plano europeu de investimento, para um total de 630 mil milhões de euros até 2022, como parte de um plano de 12 meses para criar uma “Europa melhor”. Jean-Claude Juncker acredita ser possível, assim, relançar o crescimento e o emprego nos países da União Europeia.

“O plano europeu de investimento de 315 mil milhões de euros, que acordámos neste Parlamento há apenas doze meses, já alavancou 116 mil milhões de euros em investimentos, da Letónia ao Luxemburgo, no seu primeiro ano de operação”, detalhou o presidente da Comissão Europeia, que falava, esta quarta-feira, sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu. O atual plano, o chamado Plano Juncker, assenta num fundo de mais de 40 mil milhões de euros, com capacidade para alavancar os tais 315 mil milhões de euros de investimentos até meados de 2018.

Estes investimentos, acrescentou, permitiram que mais de 200 mil pequenas empresas e startups europeias se financiassem e que mais de 100 mil pessoas encontrassem um novo emprego. Agora, “vamos levar o plano mais longe”, anunciou.

“Propomos duplicar a duração do fundo e a sua capacidade financeira. Com o vosso apoio, vamos conseguir que o Fundo Europeu de Investimento atribua um total de, pelo menos, 500 mil milhões de euros em investimentos até 2020. E vamos trabalhar para além disso, para alcançar os 630 mil milhões até 2022. Com a contribuição dos Estados membros, conseguiremos chegar lá ainda mais depressa”, adiantou Juncker.

"Uma economia quase inteiramente dependente de crédito bancário é mau para a estabilidade financeira e para os negócios.”

Jean-Claude Juncker

Presidente da Comissão Europeia

Para chegar a esta meta, defendeu ainda o presidente da Comissão Europeia, é preciso “criar o ambiente certo para se investir”, o que implica acelerar a união de mercados de capitais. “Os bancos europeus estão em muito melhor forma do que há dois anos, graças aos nossos esforços. Mas, uma economia quase inteiramente dependente de crédito bancário é um mau cenário para a estabilidade financeira e para os negócios. É, por isso, urgente acelerar o nosso trabalho na união dos mercados de capitais. A Comissão vai avançar hoje com um plano para este assunto”, anunciou.

O alargamento do plano de investimento faz parte de uma agenda para os próximos doze meses, que definiu uma estratégia com cinco pilares: proteção dos cidadãos, preservação do modo de vida europeu, empoderamento dos cidadãos, defesa do território europeu e estrangeiro e responsabilização.

Além Europa: 44 mil milhões para África

Durante o discurso desta manhã, Juncker anunciou ainda a expansão do plano europeu de investimento para África. “O nosso plano (…) funcionou melhor do que qualquer um poderia esperar. Agora, vamos torná-lo global. Hoje, lançamos um ambicioso Plano de Investimento para África e Arredores, que tem o potencial de alavancar 44 mil milhões de euros e pode chegar aos 88 mil milhões se os Estados membros colaborarem”.

Este novo plano funcionará com a mesma lógica do plano interno: será usado um fundo estratégico de dinheiros públicos que, ao partilhar o risco, incentiva o investimento por parte de privados a instituições públicas.

“Isto irá complementar o nosso apoio ao desenvolvimento e ajudará a enfrentar uma das principais causas da migração. Com o crescimento económico dos países em desenvolvimento nos níveis mais baixos desde 2003, isto é crucial”, referiu o presidente da Comissão Europeia.

Desemprego jovem: o alvo a abater

“Não posso e não vou aceitar que a Europa seja e continue a ser um continente de desemprego jovem. Não posso e não vou aceitar que os millennials sejam a primeira geração em 70 anos a ser mais pobre que a dos seus pais”. Foi desta forma que Jean-Claude Juncker introduziu outro dos temas prioritários para a Europa.

O combate ao desemprego jovem tem sido feito com a Garantia para a Juventude, programa lançado há três anos, através do qual mais de nove milhões de jovens já arranjaram emprego ou estágios. “Vamos continuar a desenvolver o Garantia para a Juventude por toda a Europa, aumentando as qualificações dos europeus e apoiando as regiões mais necessitadas”, concluiu Juncker.

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