Subida do preço da OPA protege CaixaBank da CMVM

A aproximação da cotação das ações do BPI ao valor da oferta poderá ser interpretado como um sinal do mercado de que o regulador não deve forçar uma alteração ao preço da OPA do CaixaBank.

O CaixaBank oferecia 1,113 euros por cada ação do BPI, mas acabou por rever o valor em alta. Com a OPA a passar de voluntária a obrigatória, por determinação da CMVM no seguimento da desblindagem dos estatutos, a contrapartida subiu, mas pouco. No mercado, os títulos estão já perto da nova oferta o que, dizem os analistas, deverá libertar o banco espanhol de aumentar novamente o preço da OPA.

As ações do banco liderado por Fernando Ulrich seguem hoje em forte alta, a valorizar 3,48%, para os 1,129 euros. Este valor está próximo dos 1,134 euros resultantes da revisão do preço após, facto que na perspetiva dos analistas significa que os investidores estão prontos para aceitar a proposta apresentada pela instituição catalã.

“Após ser conhecido o novo preço da oferta do CaixaBank e após a decisão de ontem da assembleia geral de acionistas do BPI de ter retirado o limite nos direitos de voto […], a cotação do título ajustou para o novo preço, refletindo o facto de a oferta avançar”, diz Albino Oliveira, analista da Patris Investimento, ao ECO, para justificar o comportamento do título na sessão de hoje.

Já Paulo Rosa, economista da sala de mercados do Banco Carregosa, vai um pouco mais longe ao salientar que o esperado ajuste da cotação do título ao novo preço da OPA, “poderá ser uma resposta à CMVM para que não peça uma revisão mais alta do preço da OPA”. Uma opinião que acaba por ser complementada por Henrique Dias, gestor da XTB, que salienta que “o novo preço oferecido está em linha com a média das cotações dos últimos três meses, sendo o mínimo exigido pela CMVM para OPA com estas características”. A CMVM poderá assim ver condicionada a decisão de, tal como lhe é permitido, pedir uma avaliação independente do valor do BPI como é pretendido por vários acionistas de referência, como por exemplo a família Violas que é acionista com 2,67%.

O novo preço oferecido está em linha com a média das cotações dos últimos três meses, sendo o mínimo exigido pela CMVM para OPA com estas características.

Henrique Dias

Gestor da XTB

A opinião dos analistas vai no sentido de existir já um encontro entre o valor da oferta do CaixaBank e o valor do BPI. “De acordo com a correção da banca no último ano, quer em Portugal quer na Europa, o valor da OPA do BPI, que foi revisto em baixo desde a primeira oferta de 1,329 euros o ano passado, andará à volta do real valor do banco. A banca tem sido penalizada e o BPI não acompanhou essa descida porque beneficiava de uma OPA a 1,113 euros. Por isso, este valor, e segundo o que se passa no mercado, poderá ser uma oferta justa”, esclarece Paulo Rosa.

E agora investidores?

Nas mãos dos investidores está agora a decisão de vender, ou não, ao CaixaBank os títulos do BPI que detêm. O novo preço da oferta é apenas ligeiramente acima do preço anterior, pelo que Albino Oliveira lembra que “a decisão para os investidores minoritários permanece a mesma: decidir se o preço atual (correspondente a um múltiplo de 0,6 vezes o valor dos ativos do banco) é justo para o CaixaBank passar a assumir o controlo do banco Português”.

Outro dos fatores que estes devem ter em conta na hora de vender ou não ao CaixaBank, prende-se com a liquidez das ações. “Caso o CaixaBank consiga obter mais de 90% do capital social na OPA poderá lançar uma OPA potestativa e obrigar os restantes acionistas (que não concordarem com a OPA) a vender. Caso não o faça, as restantes ações permanecerão em bolsa e a negociação, com menor liquidez, seguirá o rumo das congéneres e dos mercados, que não tem sido o melhor”, lembra Paulo Rosa. O economista vai ainda mais longe ao alertar que, se o CaixaBank não conseguir os 90%, os acionistas que não venderem sujeitam-se ao sabor dos mercados e poderá não haver distribuição de dividendos. “A Brisa fê-lo depois da OPA. A Cimpor desceu cerca de 95% desde a OPA a 5,5 euros”, exemplifica Paulo Rosa.

Mas manter os títulos o BPI também poderá ter vantagens, potenciado pela influencia em termos de estratégia que possa resultar do reforço do CaixaBank. Henrique Dias lembra que a OPA ao BPI “trará certamente mais estabilidade à instituição, com um investidor como o CaixaBank a assumir o controlo do banco, poderão delinear-se novas estratégias de posicionamento no mercado”.

Contribua. A sua contribuição faz a diferença

Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.

A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.

É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.

De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,

Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Subida do preço da OPA protege CaixaBank da CMVM

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião