Baralhar e dar de novo. Cinco cursos que podem ajudá-lo a voltar ao trabalho

O ECO falou com as maiores empresas de recrutamento para saber quais são as competências mais procuradas pelo mercado de trabalho. E escolheu os cursos que podem dar-lhe essas valências.

Se encontrar emprego já é difícil, mais ainda quando está desempregado há demasiado tempo. O que procuram os empregadores? Quais são as competências indispensáveis para quem quer encontrar (ou mudar de) emprego? O ECO falou com as maiores empresas de recrutamento do país para responder a essas perguntas. E escolheu cinco cursos que podem dar-lhe essas competências e ajudá-lo a encontrar emprego.

Programação

Um milhão. Quando chegarmos a 2020, é esse o número de vagas que deverão estar por preencher, na União Europeia, nas áreas de tecnologias de informação. Só em Portugal, serão 20 mil ofertas de emprego. As previsões são da Comissão Europeia e ilustram um problema que se agrava de ano para ano: a lacuna procura/oferta do mercado de trabalho. A tecnologia é uma das áreas que mais emprego cria, mas os empregadores têm de procurar muito para encontrar candidatos com as competências em falta.

“Continuamos a assistir a uma forte procura de profissionais com funções ligadas à programação (sobretudo java, .net e mobile), segurança de sistemas, business intelligence e software de gestão”, refere Sandrine Veríssimo, diretora da Hays em Portugal.

A lista de cursos online — e gratuitos — para aprender a programar é extensa. A Codeacademy é uma das escolas online mais reconhecidas, contando já com 16 milhões de utilizadores registados. A Khan Academy, uma das primeiras escolas de programação online, é outra das soluções, com uma particularidade que pode ajudar quem não tem qualquer base: as aulas são acompanhadas de uma versão áudio, tornando mais fácil o acompanhamento.

Se é mais adepto de um acompanhamento personalizado (e presencial), também tem opções. A Academia de Código é uma delas. O pretexto: “Nascemos da constatação de um paradoxo contemporâneo: por um lado, uma taxa de desemprego altíssima; por outro, a enorme oferta de emprego nas áreas de tecnologias de informação, com mais de 8.000 postos de trabalho por preencher em Portugal”. E a missão: “reprogramar vidas ensinando código” e “requalificar 10 mil candidatos para o mercado de trabalho”.

“O objetivo é pegar em talentos que estejam perdidos e que queiram mudar de vida. Quando começámos, em setembro de 2015, tínhamos requisitos muito fechados: só aceitávamos licenciados, desempregados, com menos de 30 anos. Nessa primeira edição, tivemos 600 candidatos para 15 vagas e decidimos abrir os critérios”, explica ao ECO João Magalhães, um dos fundadores da Academia de Código.

Os alunos da Academia de Código passam por um “curso imersivo” de 650 horas, com um custo de 10% do salário durante dois anos, depois de os alunos arranjarem trabalho. Até agora, há 100% de empregabilidade. “Passados dois meses, quase todos os nossos alunos estão empregados. Depois de três meses, estão todos”, detalha João Magalhães. A Accenture, a Deloitte, a Altran e a Uniplaces são algumas das empresas que vão buscar os formandos da Academia de Código, que, a partir de janeiro, estará a funcionar em Lisboa, no Fundão e em Santa Maria da Feira.

Gestão de redes sociais

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48 mil milhões de dólares. É o valor do comércio online a nível mundial, segundo dados da Kantar Worldpanel. Até 2025, este valor deverá subir para 150 mil milhões de dólares. Como é que uma empresa sobrevive neste mercado?

“Neste momento, as empresas estão muito à procura de profissionais para a gestão de redes sociais e e-commerce. O domínio de SEO [search engine optimization] também é muito valorizado”, diz Nuno Troni, diretor da área de professionals da Randstad.

A oferta de formação para esta área é vasta, mas não barata. A FLAG, por exemplo, oferece cursos de social media marketing, em Lisboa, Porto, Braga e Coimbra, por 1205 euros. A Terminal F dá o mesmo curso, em Lisboa, por 964 euros. Já a Key School, presente em Lisboa e no Porto, tem cursos mais em conta, por 319 euros.

Línguas. Mas não essas

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Se o objetivo é destacar-se, esqueça o inglês, o portunhol e o je m’appelle Manuel. Mais valia é conseguir falar sem esforço com os vizinhos do outro lado do globo, e já não chega cumprir os mínimos olímpicos. “A experiência na internacionalização de empresas é muito requisitada graças à globalização dos mercados. Ligada a essa internacionalização, encontra-se a procura por perfis com fluência em idiomas estrangeiros pouco comuns”, aponta Álvaro Fernandéz, diretor-geral da Michael Page Portugal.

Entre estes “idiomas estrangeiros pouco comuns”, estão o mandarim e o árabe, mas também línguas mais próximas, ainda que já pouco dominadas pelos portugueses, como o alemão.

O Centro Científico e Cultural de Macau (150 euros por módulo) ou o Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa (com uma propina anual de 350 euros) são dois dos locais onde pode aprender mandarim se estiver na capital. No Porto, a Faculdade de Letras oferece um curso intensivo por 340 euros por ano. Se estiver pelo sul, a Universidade do Algarve também tem cursos livres de línguas.

Controlo de qualidade

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“Outro setor muito dinâmico é o da indústria, com uma grande procura de profissionais de engenharia, devido ao continuado reforço da capacidade produtiva em empresas das áreas alimentar, automóvel, metalomecânica, têxtil e química. A procura tem incidido sobretudo em responsáveis das áreas de produção, manutenção, planeamento e qualidade“, enumera Sandrine Veríssimo.

O Certform – Escola de Formação Prática, que atua no Porto, em Coimbra e em Lisboa, tem uma resposta abrangente para essa necessidade. No calendário de 2016, pode encontrar vários cursos de gestão de qualidade e segurança alimentar, alguns por menos de 200 euros.

Soft skills

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É, talvez, o fator menos valorizado entre os candidatos a emprego, mas o ponto comum nas respostas de todas as empresas de recrutamento: as chamadas soft skills. A capacidade de resiliência e o compromisso estão à cabeça. “A geração dos millennials tem dificuldade em gerir a frustração e, se algo não corre bem à primeira, desistem. Vivemos num contexto económico complexo e é necessário que se consiga lidar com os momentos menos bons e ultrapassá-los de forma construtiva”, acredita Filipa Silva, diretora de recursos humanos da Mercer Portugal.

Sobre os millennials e o seu grau de compromisso, Nuno Troni acrescenta: “Esta é uma geração que procura mudanças com alguma regularidade. Quando dominam qualquer coisa, têm tendência a procurar o próximo desafio”.

Depois, vêm as capacidades de comunicação e relações interpessoais. “As competências mais tradicionais, como a capacidade de comunicação, a proatividade e o espírito de equipa, são sempre valorizadas em qualquer processo de recrutamento”, nota Álvaro Fernandéz. Mas o que mais se procura são “perfis com capacidade de inovação à mudança, que transformem uma dificuldade num desafio ou até numa oportunidade”.

É verdade que é mais fácil quando se nasce com estas características, mas tudo se aprende e o bom do século XXI é que há cursos para tudo. O Centro de Cursos Livres, com oferta para Lisboa, Porto e Ponte de Lima, tem uma lista vasta para quem procura desenvolver estas capacidades.

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