Fundo de emergência? Você precisa de um

Ter um “pé de meia” é muito importante. A vida é feita de imprevistos, pelo que deve sempre procurar salvaguardar-se que consegue dar resposta às obrigações mesmo quando faltam os rendimentos.

Quem nunca foi apanhado de surpresa por uma fatura pesada? Quem nunca viveu uma situação de aperto financeiro? Praticamente todas as famílias já passaram por situações destas. São complicadas de resolver? São. Mas podem não o ser para quem se previne. Como? Com um fundo de emergência. Você, bem como todos os outros portugueses, precisam de um.

“Alterações inesperadas no seio familiar, como uma situação de desemprego, divórcio ou uma doença grave, podem vir a gerar dificuldades financeiras significativas. A existência de poupança acumulada com esta finalidade ajuda a atenuar o impacto financeiro destas situações”. A frase é do portal Todos Contam, desenvolvido no âmbito do Plano de Formação Financeira. E é um alerta para a necessidade de constituir um fundo de emergência.

Essa poupança não tem um mínimo nem um máximo. Depende de cada um. “Pode parecer muito, mas recomendamos que guarde nesse fundo um montante equivalente a cinco ou seis salários”, diz a Deco. Ou seja, se ganha, por exemplo, 1.000 euros por mês, é importante que tente constituir um fundo de emergência com entre cinco e seis mil euros para estar preparado para enfrentar situações inesperadas.

"Recomendamos que guarde nesse fundo um montante equivalente a cinco ou seis salários.”

Deco

É importante que “a quantia [colocada nesse fundo seja] suficiente para se manter durante um semestre sem trabalhar“, diz a Deco. Uma alerta que não é novo, mas que ganha maior relevância quando se percebe que a maioria dos portugueses não está minimamente preparada para essa eventualidade.

Segundo o Inquérito à Literacia Financeira, “cerca de 61% dos portugueses afirmam que conseguiriam fazer face a uma despesa inesperada de montante equivalente ao seu rendimento mensal e quase dois terços consideram que o seu rendimento é suficiente para cobrir o custo de vida”. Mas a perda abrupta de rendimentos é um problema para uma parte da população.

  • 61% dos portugueses conseguiria fazer face a uma despesa inesperada
  • 26,2% não aguentava um mês sem salário
  • 14,5% dos que poupam guardam o dinheiro em casa

“Questionados sobre durante quanto tempo o agregado familiar poderia cobrir as despesas sem pedir dinheiro emprestado ou mudar de casa, caso perdesse a principal fonte de rendimento, pouco mais de um quarto dos entrevistados (26,2%) indica prazos inferiores a um mês. Esta percentagem sobe para cerca de um terço entre os entrevistados que vivem sozinhos”, nota o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros.

Dinheiro à mão

Se há uma parte da população que entraria em incumprimento quase imediatamente a seguir à perda de rendimentos, “cerca de um terço (32,9%) conseguiria pagar as despesas, se perdesse o principal rendimento familiar, por um período entre um mês e três meses e 13,7% poderiam fazê-lo por mais de seis meses”, refere o Inquérito à Literacia Financeira. Ou seja, tem dinheiro para enfrentar essas despesas. Mas onde deve estar esse dinheiro?

É imprescindível que este dinheiro esteja sempre disponível. Mas isso não significa que o deva ter em casa, guardado num frasco, numa gaveta ou debaixo dum colchão, porque, com a subida generalizada dos preços, dentro de algum tempo o seu dinheiro valeria bastante menos.

Deco

É imprescindível que este dinheiro esteja sempre disponível“, alerta a associação de defesa dos consumidores. Mas isso “não significa que o deva ter em casa, guardado num frasco, numa gaveta ou debaixo dum colchão, porque, com a subida generalizada dos preços, dentro de algum tempo o seu dinheiro valeria bastante menos”, nota a Deco. No entanto, poucos portugueses seguem o conselho.

Há “pouca pro-atividade na aplicação da poupança, uma vez que 60,8% dos que poupam afirmam deixar o dinheiro na conta de depósito à ordem e 14,5% referem guardar o dinheiro em casa“, diz o Inquérito à Literacia Financeira. “Pouco mais de um terço dos entrevistados (34,3%) afirma colocar o dinheiro numa conta de poupança e 3,9% referem aplicar em produtos de investimento”, remata.

Rentabilize o fundo

Deixar o dinheiro parado é um erro, seja para as poupanças normais, seja para um fundo de emergência. O que fazer, então, com o dinheiro que deixa de parte para os imprevistos? Procure produtos de poupança tradicionais, facilmente mobilizáveis em caso de necessidade. Quais? Os habituais depósitos a prazo. Ainda que as aplicações da banca estejam a oferecer taxas cada vez mais baixas, pelo menos perde menos dinheiro –- a inflação prevista bate a maioria dos depósitos.

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Fonte: Preçários dos bancos. Nota: Aplicações com um mínimo de investimento até 5.000 euros. * TANB Média

Mas também pode olhar para os produtos do Estado, embora não para os Certificados do Tesouro Poupança Mais que têm uma taxa média anual atrativa, de 2,25%, pois o existe um período de imobilização inicial de um ano. Terá de se cingir aos certificados de aforro.

Se nos CTPM não pode mexer no dinheiro durante um ano, nos “velhinhos” certificados bastam três meses. Depois, o dinheiro fica a render pouco, mas com a vantagem de que tudo o que obtém é capitalizado. Ou seja, o juro, ainda que baixo, vai recaindo sobre um valor cada vez maior.

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