Euro na paridade? Quem ganha e quem perde no PSI-20

  • Rita Atalaia
  • 18 Novembro 2016

O euro não para de cair. E pode passar a valer o mesmo, ou menos, que o dólar. Quem é que vai beneficiar com esta tendência? E quem serão as vítimas? Saiba quem é que ganha e quem perde no PSI-20.

O euro está a tocar mínimos. E pode continuar a desvalorizar com a chegada de Donald Trump à presidência dos EUA. As promessas de investimento do republicano devem obrigar a Reserva Federal dos EUA a subir as taxas de juro mais rapidamente do que o antecipado. Mas, no Banco Central Europeu, Mario Draghi deve ter de manter o programa de estímulo durante mais tempo do que esperado. E esta divergência entre as políticas monetárias deve manter o euro sob pressão contra o dólar, podendo levar a moeda única a valer o mesmo, ou menos, que a divisa norte-americana já no próximo ano.

A moeda única caía para 1,0623 dólares. Chegou a recuar para um máximo de 1,0582 dólares, um mínimo de dezembro de 2015. Esta queda do euro é boa? Para uma parte significativa das grandes empresas nacionais, a desvalorização da moeda única acaba por ser positiva. Porquê? São empresas portuguesas, mas estão no mercado internacional. E aí, o dólar é a divisa de referência. Mas, como em tudo, há o outro lado da moeda.

A apreciação da divisa dos EUA acaba por tornar mais arriscado negócio em alguns mercados, especialmente nos emergentes. Aumenta exponencialmente o risco de ficarem com faturas por receber, dizem os analistas. Saiba, neste contexto, quais as cotadas nacionais que ganham e perdem com esta mudança de paradigma no mercado cambial.

Quem ganha?

A descida do euro contra a moeda norte-americana beneficia essencialmente as empresas que vendem os seus produtos em dólares, mas cujos custos são em euros. O dólar forte beneficia principalmente as exportadoras europeias, ao ficarem mais competitivas. Mas, mais especificamente, as produtoras de papel do PSI-20.

  • A Navigator e a Altri podem beneficiar da descida do euro, uma vez que “suportam custos maioritariamente em euros mas geram uma parte importante das receitas em dólares americanos”, explica Steven Santos, gestor do BiG. A Patris Investimentos partilha da mesma perspetiva e nota que as receitas destas duas empresas “dependem da cotação da pasta e do papel (ambos em dólares). Portanto, “a subida do dólar face ao euro beneficia estas duas empresas”. Já a Semapa também poderá refletir o comportamento da Navigator, tendo em conta a sua participação na empresa. A Semapa, a Navigator e a Altri são as únicas empresas cujos resultados das operações em Portugal não dependem exclusivamente da procura interna, explica Eduardo Silva, gestor da corretora XTB. O gestor acrescenta que todas as outras podem sentir impacto positivo já que, diz, os benefícios superam o risco.caixa-navigator_papel
  • No setor da construção, a Mota-Engil poderá vir a colher os frutos da apreciação da moeda norte-americana. “Com presença histórica em África e com a América Latina a assumir um papel cada vez mais preponderante na carteira de encomendas da Mota-Engil, a construtora poderá ser beneficiada pelo dólar forte de um ponto de vista puramente cambial, visto que os contratos são maioritariamente denominados em dólares americanos”, explica o gestor do BiG.
  • Para além da construtora, Eduardo Silva, da corretora XTB, também acredita que a Galp Energia pode beneficiar deste movimento cambial pela componente de exportação. A petrolífera envia para o exterior uma parte dos produtos refinados em Sines.

E quem perde?

Com a moeda fraca, os consumidores perdem poder de compra. Fator que pode ter algum impacto na procura interna. Neste caso, as empresas mais dependentes do consumo nacional são as mais penalizadas, diz Eduardo Silva, da corretora XTB. As importadoras também sentem o efeito da desvalorização da moeda única, já que o mercado dos EUA tem um grande peso nas importações da Zona Euro.

  • Neste cenário extremo, retalhistas como a Sonae e retalhistas/grossistas como a Jerónimo Martins poderiam sentir dificuldades no caso de o euro depreciar significativamente. Steven Santos, do BiG, diz que “o principal risco é que um euro mais fraco encareça as importações de produtos alimentares e não-alimentares, o que poderia pressionar as margens de lucro das retalhistas portuguesas”. Mas este impacto deve ser moderado, “visto que compram poucos bens de fora da Zona Euro”, explica.cropped-pingo_doce_interior
  • Nem tudo é um mar de rosas para a Mota-Engil, já que a subida da moeda norte-americana pode não ser totalmente positiva para a construtora. Steven Santos refere que a apreciação do dólar torna “mais difícil o cumprimento das responsabilidades e os pagamentos a fornecedores por parte dos mercados emergentes“. Estes fornecedores dominam a carteira de clientes da Mota-Engil. A Patris Investimentos também refere que os mercados emergentes podem ser penalizados pela “continuação de um ambiente de subida do dólar e das yields nas obrigações do Tesouro dos EUA”;
  • Apesar de beneficiar com as exportações, a Galp Energia poderá registar um impacto negativo na sua rentabilidade. O BiG diz que a petrolífera pode ser incluída no grupo dos perdedores, uma vez que “produz petróleo noutros continentes com contratos denominados em dólares americanos e vende os seus produtos refinados na Europa”.

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