Petróleo já superou estimativa do Governo no OE

A escalada da matéria-prima levou as cotações a superarem o valor médio estimado pelo Governo no Orçamento do Estado. É um peso extra nas contas públicas agravado pela debilidade do euro.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) acordou cortar a produção. E, agora, os países produtores fora do cartel juntaram-se à redução da oferta, no sentido de estimular os preços. As cotações estão a disparar, de tal forma que o valor médio do barril no total do ano já está em 44,57 dólares. É muito? É mais do que o Governo estimou para este ano no Orçamento do Estado.

O West Texas Intermediate (WTI) está já a cotar nos 53 dólares, enquanto o Brent, que serve de referência para as importações nacionais, está acima dos 55 dólares. Já chegou ao valor mais elevado desde julho de 2015, nos 56,43 dólares. Uma escalada que fez disparar a cotação média do barril de petróleo negociado em Londres. Está já acima do valor médio estimado pelo Governo para 2016.

No OE de 2016, o Governo colocava como hipótese o Brent a 42 dólares, mas no relatório de OE para 2017, o valor foi revisto para 44,40 dólares, nível que também já foi superado. E isto em dólares, já que se forem consideradas as cotações em euros o resultado é ainda mais negativo tendo em conta a forte descida da moeda única.

A projeção era de 44,40 dólares com uma taxa de câmbio de 1,12 dólares, ou seja, 39,64 euros. Mas com base no valor médio anual atual do Brent, e tendo em conta a evolução negativa do euro, a média anual da divisa está já em 1,1102 dólares. Ou seja, o preço médio do barril está em 40,15 euros, acima do que era antecipado.

Esta escalada do petróleo tem impacto negativo na economia portuguesa, altamente dependente das importações da matéria-prima. Com preços mais altos, acima do antecipado, haverá um efeito negativo no que toca aos valores das importações, podendo também assistir-se a uma quebra na procura por parte dos consumidores, o que reduzirá a receita fiscal. O impacto só não é mais expressivo uma vez que a subida acontece já na reta final do ano.

Preço mais alto em 2017

O Governo já antecipava no OE que esta recuperação das cotações pudesse acontecer. Foi com base na escalada das cotações que os valores para 2016 foram revistos no OE para 2017 (face aos de 2016), sendo que para o próximo ano o Executivo prevê que a tendência continue a acentuar-se. Ou seja, que os preços da matéria-prima continuem a aumentar.

“A estimativa para o preço do petróleo, com base em informação dos mercados de futuros, aponta para uma aceleração do preço desta matéria-prima em dólares e em euros”, refere o Relatório do OE 2017. Neste documento, o Executivo aponta para um valor médio de 51,3 dólares para o barril de Brent em 2017, com a taxa de câmbio entre o euro e o dólar em 1,12 dólares.

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