Paulo Macedo: “Os clientes não deixaram a Caixa”

Acabado de chegar para substituir António Domingues, Paulo Macedo confia no plano de recapitalização desenhado pelo seu antecessor, que prevê o regresso aos lucros ao fim de seis anos de prejuízos.

É o dia 3 de Paulo Macedo na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o novo presidente do banco público anda a visitar agências. Macedo esteve esta manhã na agência do banco público nas Amoreiras, em Lisboa, e garantiu que não só “os clientes não deixaram a Caixa”, como “os depósitos estão estáveis ou a crescer”.

Ao dia 3, Paulo Macedo visitou a primeira agência da CGD.
Ao dia 3, Paulo Macedo visitou agências da CGD.Paula Nunes/ECO

“O que se vê é que os clientes estão na Caixa, a Caixa mantém a sua liderança e, com certeza, quererá consolidá-la no futuro”, disse o novo presidente do banco público, em declarações aos jornalistas no final da visita à agência.

Macedo procura, assim, reforçar a confiança no banco público, depois de mais de um ano em que o banco esteve envolvido em polémicas atrás de polémicas e numa altura em que decorre o plano de recapitalização do banco. Agora, diz o presidente da CGD, é tempo de “cumprir com o que está estabelecido”, referindo-se ao plano desenhado pelo seu antecessor, António Domingues.

Esse é “um bom plano para a Caixa”, acredita Macedo. Questionado sobre se consegue garantir que o banco não vai precisar de mais capital além dos cinco mil milhões já previstos, o presidente da Caixa diz que “em dois dias, não garantirei nada desse assunto”, mas sublinha que o plano de recapitalização é “robusto” e lembra que já foi “aprovado, submetido e partilhado com diversos stakeholders“.

Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD)
Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD)Paula Nunes/ECO

O novo presidente enumerou ainda aqueles que serão os “grandes objetivos macro” do banco público, sublinhando que “o maior compromisso da Caixa é para com os seus deposita”. São eles:

  1. “A Caixa tem uma função, em primeiro lugar, de confiança, de credibilidade”;
  2. “Tem um papel decisivo naquilo que é a atividade das empresas“;
  3. “Queremos continuar a ser os melhores na área do crédito à habitação“;
  4. Reforçar a presença junto de “segmentos de clientes muito importantes para a Caixa, como sejam os universitários mas, também, os seniores“;
  5. Assegurar “a sua solidez e uma reestruturação em termos das políticas de risco e de crédito, que permita a Caixa avançar de forma sólida e rentável”.

Sobre o calendário, a equipa de administração da Caixa está a trabalhar para que as várias fases do plano de recapitalização sejam cumpridas dentro prazo. Assim, em março, como estava previsto, deverá arrancar o aumento de capital do banco público, em 2,7 mil milhões de euros de dinheiro públicos, a que se somam outros mil milhões de investidores privados. “Vamos trabalhar nesse cenário. Temos de ver em que estado está o fecho de contas, como se estão desenvolver os contactos para as certificações das contas e, depois, começar também os contactos com os potenciais investidores”, antecipou Macedo.

No fim, sublinhou, “o que está previsto é uma inversão nos resultados“, ou seja, que a Caixa, que se prepara para registar o sexto ano consecutivo de prejuízos, regresse aos lucros. “O que está previsto no plano é que os resultados sejam positivos na atividade normal. Mas também há que ver o que são efeitos extraordinários. Mas, na sua atividade normal, o que está previsto é voltar aos lucros ao fim de seis anos”, reforçou.

Notícia atualizada pela última vez às 12h30.

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