Centeno: “Não concordaremos com tudo” no relatório da OCDE

  • Margarida Peixoto
  • 6 Fevereiro 2017

Na apresentação do relatório da OCDE sobre Portugal, Mário Centeno fez questão de contrapor as medidas do Governo às fragilidades apontadas pela OCDE.

“O relatório que será aqui apresentado pelo secretário-geral Gurría é uma avaliação independente da OCDE”, fez questão de sublinhar o ministro das Finanças, Mário Centeno, na apresentação do Economic Survey sobre Portugal, esta segunda-feira, em Lisboa. Centeno abordou, um por um, os temas fundamentais do documento, contrapondo as medidas e políticas do Governo.

Não é o nosso relatório, nem assim deve ser“, frisou o ministro das Finanças, esclarecendo desde já que o Governo não subscreve tudo o que lá vem: “Como é natural não concordaremos com todos os seus elementos, mas, no geral, é um instrumento com extrema utilidade”.

Perante uma plateia cheia — onde a presença de vários membros do Governo liderado não passou despercebida a Angel Gurría (“Hoje não se trabalha muito no Governo”, disse o secretário-geral) — Centeno tocou em cada um dos pontos fundamentais abordados pela OCDE, contrapondo as perspetivas, medidas e políticas do Executivo.

O ministro das Finanças frisou que o défice “ficará claramente abaixo dos 2,3% e que “o saldo primário ficará acima dos 2%”. Reconheceu que a OCDE discorda das previsões para a taxa de desemprego apresentadas pelo Executivo, mas manteve o ponto de vista do Governo: “Baixaremos do limiar dos dois dígitos”, garantiu, acrescentando que está certo de que “assim que isso acontecer, a equipa da OCDE ficará genuinamente satisfeita”.

Centeno garantiu ainda que “o défice de qualificações está a ser ultrapassado” e que o Orçamento do Estado para este ano vai “impulsionar os níveis de investimento público e privado”.

Previsões da OCDE

Fonte: OCDE
Fonte: OCDE; Valores em % da variação anual

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Centeno: “Não concordaremos com tudo” no relatório da OCDE

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião