Salários demasiado baixos levam portugueses a recusar empregos

Os profissionais "parecem ser cada vez mais seletivos" na escolha de emprego, aponta um estudo realizado pela consultora Hays.

Mais de metade dos profissionais no ativo recusou pelo menos uma oferta de emprego no ano passado. Na grande maioria destes casos, um salário demasiado baixo foi a principal razão para a recusa do emprego.

A conclusão é da nova edição do Guia do Mercado Laboral, feito pela consultora Hays junto de mais de 840 empregadores e cerca de 2.600 profissionais. Segundo o estudo, houve um “aumento considerável” na percentagem de profissionais que recusaram ofertas de emprego, passando de 47% em 2015 para 53% no ano passado.

Em algumas áreas, a tendência é claramente mais acentuada. No turismo e lazer, por exemplo, 76% dos profissionais do setor recusou ofertas no ano passado, um valor muito acima dos 50% registados em 2015. Também em tecnologias da informação houve 64% de profissionais que recusaram uma oferta.

Em quase metade dos casos (49%), refere a Hays, “a recusa prendeu-se com o salário oferecido, o que parece indicar que a componente salarial continua a ter um peso muito considerável na avaliação de novas propostas de emprego”. A falta de interesse no projeto e as condições contratuais oferecidas também estiveram entre as principais razões para a recusa das ofertas de emprego, com 37% e 31%, respetivamente.

O facto é que os profissionais qualificados parecem ser cada vez mais seletivos na escolha do seu próximo projeto. É comum, em contexto de entrevista, o candidato ter uma opinião muito clara daquilo que procura num potencial empregador e daquelas que seriam as condições ideais para desenvolver uma carreira bem sucedida”, aponta o estudo.

Ao mesmo tempo que a percentagem de recusas de ofertas aumentou no ano passado, “nunca os profissionais qualificados estiveram tão pouco interessados em mudar de emprego em 2017”. Este ano, e pela primeira vez desde que o estudo é feito, a percentagem de empresas que pretendem contratar é superior à dos trabalhadores que querem mudar de emprego: 73% contra 71%, respetivamente.

Para os que estão disponíveis para mudar de emprego, as principais motivações são as perspetivas de progressão de carreira, a procura de projetos mais interessantes e o pacote salarial.

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