“Phenomenal” de Trump puxa pelos juros na Europa

Donald Trump prometeu, para breve, uma revisão na tributação das empresas americanas. O impulso económico da medida faz aumentar a expectativa sobre juros mais altos, castigando o mercado de dívida.

Donald Trump continua a fazer mexer com os mercados. Se o foco na imigração acalmou o entusiasmo com a nova Administração, a promessa de uma revisão na fiscalidade que, como Trump afirmou, vai ser “phenomenal” (fenomenal, em português), está a puxar pelos mercados acionistas. Mas está a pesar nos mercados de dívida. As obrigações estão em queda, com os investidores a anteciparem que o maior crescimento económico em resultado da medida possa acelerar o aumento dos juros. As taxas da dívida sobem, até na Europa. E Portugal está a ser dos mais castigados.

A revisão da fiscalidade para as empresas vai ser anunciada dentro de “duas a três semanas”, disse o Presidente dos EUA. Trump quer baixar os impostos às empresas, permitindo assim maiores lucros que se traduzirão em mais postos de trabalho. Neste sentido, deverá assistir-se a um maior crescimento da economia. Com mais crescimento, os preços sobem, o que forçará a uma subida mais rápida das taxas de juro da Fed. É bom para as ações, mas mau para as obrigações: os retornos caem.

Perante esta promessa, as obrigações norte-americanas, as Treasuries, têm vindo a cair, com a taxa a acelerar. E o mesmo está a acontecer deste lado do Atlântico, com os investidores a anteciparem que juros mais altos nos EUA podem forçar uma inversão mais rápida da política seguida por Mario Draghi. O resultado é uma queda também no valor das obrigações soberanas do Velho Continente, desde a Alemanha a Portugal, sem esquecer a Grécia.

As taxas da dívida alemã seguem a subir dois pontos base. Em Espanha e Itália registam-se subidas de cerca de cinco a seis pontos base no prazo a dez anos, já em Portugal a yield está a agravar-se em dez pontos base, para 4,151%. Esta subida acompanha a tendência geral, sendo que no caso português reflete também a maior perceção de risco dos investidores perante o país, numa altura em que o setor financeiro continua a estar sob os holofotes dos investidores internacionais.

Pior está a Grécia, que continua a ver os juros da sua dívida a disparar. A taxa a dois anos mantém-se acima da fasquia dos 2% com os investidores receosos quanto ao futuro do país. Depois de o FMI vir a público avisar que o país precisaria de alívio para conseguir pagar a sua dívida, poderá estar em vista um novo resgate, os credores preparam-se para apresentar a Alexis Tsipras uma proposta com medidas adicionais. Querem, assim, ajudar a desbloquear mais uma tranche do programa de resgate para evitar que o país seja alvo de um novo… resgate.

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