Trump quer aumentar despesa militar que já é a maior do mundo

  • Marta Santos Silva
  • 27 Fevereiro 2017

O novo Presidente dos EUA tem pressionado os parceiros da NATO para que aumentem as suas despesas com a defesa, e dá o exemplo na sua proposta de Orçamento para 2018.

Donald Trump apresentou o seu primeiro draft para o Orçamento federal de 2018, e entre opções previsíveis e outras mais surpreendentes destaca-se um aumento marcado nas despesas militares: o novo Presidente dos Estados Unidos pretende que o país gaste mais 9% em defesa, o que se traduz num aumento de cerca de 50 mil milhões de euros.

Numa reunião com os governadores dos Estados esta segunda-feira na Casa Branca, Donald Trump explicou que as suas prioridades são “a defesa, a segurança e o desenvolvimento económico”, segundo escreve a BBC. O Orçamento para 2018 “vai incluir um aumento histórico na despesa militar para reconstruir as enfraquecidas forças armadas dos Estados Unidos numa altura em que precisamos delas”, afirmou o Presidente.

O aumento de 9% na despesa militar é uma das primeiras revelações acerca da proposta de Orçamento do novo Chefe de Estado, que deverá ser apresentada e finalizada, em meados de março. Surpreendentemente, o draft apresentado hoje aos governadores não toca na Segurança Social, uma área onde muitos republicanos pediam mudanças. Mais previsíveis são os cortes nas áreas da proteção do ambiente e da assistência externa, para deixar espaço para a maior despesa na área da defesa.

Os Estados Unidos já são o país com o maior orçamento militar do mundo. Gastam, por ano, cerca de 564 mil milhões de euros na área da defesa. O aumento nesta área, como o resto do Orçamento, deve ser aprovado pelos deputados federais no Congresso dos Estados Unidos, que está neste momento controlado pelos republicanos, o partido que apoiou a candidatura de Donald Trump à Casa Branca.

Este aumento chega numa altura em que a Administração de Donald Trump tem pressionado os países da NATO para aumentarem a sua despesa militar de maneira a corresponder com a quota mínima estipulada no tratado de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), o total da riqueza produzida anualmente no país. Como revelou a The Economist, vários dos países pertencentes à NATO não cumprem esta quota. A Alemanha, por exemplo, que tem sido um dos principais alvos da pressão de Trump, está abaixo da linha desde o início dos anos 1990 e encontra-se atualmente mais próxima do 1% do PIB.

Portugal, por sua vez, mantém a sua despesa militar próxima dos 2% do PIB, apesar de uma queda nos últimos anos. Segundo o documento publicado anualmente pela NATO (abre em PDF), em 2016 previa-se que a despesa militar portuguesa ficasse nos 1,38% do PIB, abaixo do limiar mas no meio da tabela relativamente aos restantes membros. Outros países, como a Itália ou a Dinamarca, têm estado abaixo quase desde que o tratado foi assinado em 1991.

Em 2016, os Estados-membros da NATO e o Canadá aumentaram em 3,8% o Orçamento da despesa, o que foi considerado pelo secretário-geral da Organização, Jens Stoltenberg, como “um passo importante na direção certa mas não (…) o suficiente”.

São sempre os Estados Unidos, tanto em percentagem do PIB como no total investido, que mais gastam na defesa nacional, e Donald Trump quer garantir, como anuncia desde os tempos da campanha presidencial, que os outros países pagam a sua “quota-parte”. No dia 16 de fevereiro, o secretário de Defesa de Donald Trump, James Mattis, disse aos parceiros da NATO na sede em Bruxelas: “Se as vossas nações não querem ver a América a moderar o seu compromisso com esta aliança, cada uma das vossas capitais tem de demonstrar que está empenhada na nossa defesa comum”. Com a proposta de Orçamento apresentada esta segunda-feira, os EUA parecem estar a preparar-se para dar o exemplo.

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