Associação mostra contas sem prejuízos do Montepio

A Associação do Montepio fechou o último ano com resultados positivos, mas numa base individual. A ausência de imparidades puxou pelas contas, mas para o saldo final faltam os prejuízos do banco.

A Associação Mutualista do Montepio Geral encerrou o último exercício com um resultado positivo. Depois de prejuízos de mais de 390 milhões de euros em 2015, ficou acima da linha de água, mas apenas numa base individual. Nas contas consolidadas, que irão refletir os resultados do banco liderado por Félix Morgado, o resultado deverá ser negativo.

Assistiu-se a um “significativo aumento do resultado líquido do exercício, que se fixou em 7,4 milhões de euros, o que compara com 393,1 milhões de euros negativos, em 2015“, refere a associação em comunicado com a sinopse dos resultados de 2016. No ano anterior, a associação tinha reconhecido nas contas imparidades avultadas com o banco, algo que não aconteceu em 2016.

Este resultado positivo é, contudo, apenas uma parte da história das contas da Associação Mutualista Montepio Geral. É que os números apresentados são numa base individual, ou seja, são apenas referentes à própria associação, não refletindo as contas nem do banco, o Montepio, nem da seguradora. Ao ECO, Eugénio Rosa, vogal do Conselho Geral e de Supervisão da Caixa Económica Montepio Geral, explicou que estes resultados deverão passar a prejuízos quando forem consolidados.

Há que somar os resultados da Caixa Económica e os da Lusitânia Seguros não vida, frisou, lembrando que o banco registou “prejuízos de cerca de 67 milhões de euros no primeiro semestre” de 2016 e que as contas da Lusitânia Seguros não vida também estão no vermelho. O relatório e contas do Montepio referente ao terceiro trimestre confirma que nos primeiros nove meses do ano passado os prejuízos se mantiveram em torno de 67,5 milhões de euros.

Capitais próprios em queda

A associação revela que apesar da melhoria nas contas individuais, os capitais próprios continuam em queda. Depois de terem afundado de 682,2 milhões de euros em 2014 para apenas 207,7 milhões no ano seguinte, voltaram a encolher no ano passado. Segundo a informação enviada pela associação, no final de 2016 os capitais próprios estavam em 188,45 milhões, ou seja, uma quebra de 9,2% em termos homólogos.

"É de esperar uma degradação dos capitais da Associação Mutualista em 2016.”

Eugénio Rosa

Vogal do Conselho Geral e de Supervisão da Caixa Económica Montepio Geral

“A evolução dos capitais próprios, em 2016, teve subjacente a incorporação, nas rubricas de fundos próprios e de reservas, dos resultados líquidos negativos do ano anterior, motivados, essencialmente, pela constituição de imparidades para as participações financeiras no capital da Caixa Económica e da Montepio Seguros, SGPS“, refere a associação.

Mas estes capitais só são positivos nesta base individual. A Associação Mutualista Montepio Geral fechou 2015 com um buraco nas contas de 107 milhões de euros em termos consolidados. O alerta foi dado pelo auditor do banco, a KPMG, num documento citado pelo Público anexo às contas consolidadas da associação, que vão ser discutidas esta terça-feira. E “é de esperar uma degradação dos capitais da Associação Mutualista em 2016”, adiantou Eugénio Rosa.

Mutualistas. Cobertura para tudo

Mesmo com a quebra dos capitais próprios, a associação garante que tem a solidez financeira para fazer face às responsabilidades, nomeadamente perante os mutualistas. Ainda assim, houve uma quebra no rácio de cobertura que passou de 1,17 para 1,052, em ambos os casos cobrindo a totalidade das responsabilidades.

“O indicador de cobertura de responsabilidades pelos fundos, reservas e provisões matemáticas constituídas, embora tenha registado uma redução em 2016, por efeito da incorporação dos resultados negativos de 2015, mantém-se superior a 1, continuando a refletir a capacidade da Associação Mutualista honrar os seus compromissos“, nota.

A associação conta com 632.477 associados, um número ligeiramente inferior aos registados no final de 2015. “A base associativa evidenciou uma evolução diferenciada ao longo de 2016, tendo-se verificado uma retoma do crescimento do número de associados na segunda metade do ano“, remata.

(Notícia atualizada às 11h42 com mais informações)

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