Acordo na OPEP é suficiente? Analistas duvidam

De acordo com uma sondagem da Reuters, pelo menos até ao início do próximo ano a cotação do barril de petróleo não deverá chegar aos 60 dólares. A culpa é do aumento da produção nos EUA.

No final do ano passado, fez-se história. Os membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) acordaram entre si, e com outros países produtores, travar a produção de petróleo, visando reequilibrar o mercado e puxar pelos preços da matéria-prima. Os analistas parecem, contudo, duvidar que o esforço do cartel seja suficiente para compensar o empurrão que a produção de “ouro negro” está a ter nos EUA. Sinal disso mesmo, é o resultado da mais recente poll realizada pela Reuters junto de economistas. Estes não acreditam que a cotação do petróleo consiga atingir os 60 dólares pelo menos até ao início do próximo ano.

Na sondagem divulgada na passada sexta-feira pela agência de notícias, as estimativas dos economistas apontam para que o barril de brent — a matéria-prima que serve de referência para as importações portuguesas — atinja um preço médio de 57,25 dólares, em 2017. Este valor fica um pouco aquém face aos 57,52 dólares antecipados por 32 economistas sondados numa análise semelhante realizada no mês passado. As estimativas dos especialistas para o preço do brent, este ano, oscilam entre o máximo de 73 dólares por barril, da gestora Raymond James, e o mínimo de 51 dólares avançada pelo Commerzbank.

Relativamente ao crude transacionado em Nova Iorque, as estimativas dos economistas apontam para que o preço do barril se situe num valor médio de 55,29 dólares, em 2017. Este valor fica ligeiramente abaixo dos 55,66 dólares estimados na anterior sondagem da Reuters conhecida no final de fevereiro.

A expectativa dos economistas é de que a crescente oferta de petróleo nos EUA venha a compensar, em parte, os cortes do output dos países da OPEP e dos seus parceiros, afirmou à Reuters Rahul Prithiani, diretor da CRISIL Research. “Se os produtores norte-americanos continuarem a aumentar o output ao mesmo ritmo, então é de esperar que o reequilíbrio nos mercados de petróleo seja atrasado para além de 2017“, defendeu este responsável.

Os mais recentes números sobre a atividade de produção de petróleo nos EUA apontam nesse sentido. Na passada sexta-feira, foi conhecido que o número de plataformas de exploração da matéria-prima voltaram a subir pela 11ª semana consecutiva, com os produtores do país a procurarem tirar partido da recuperação dos preços do petróleo. De acordo com dados da Administração de Informação de Energia, avançados em março, a produção de petróleo de xisto nos EUA deverá aumentar, em 109 mil barris/dia, para os 4,96 milhões de barris. A confirmar-se será o mais aumento mensal desde outubro do ano passado.

De acordo com as expectativas dos analistas, o primeiro acordo de limitação da oferta de “ouro negro” desde 2008 por parte da OPEP, deverá ser desafiado pela fraca aderência de países fora do grupo.

“O fraco compromisso fora do grupo poderia ameaçar o restante acordo, já que a Arábia Saudita está a suportar a maior parte do peso, enquanto a Rússia, que em muitos casos é um concorrente direto, não conseguiu cumprir os acordos”,afirmou Giorgos Beleris, analista da Thomson Reuters Oil Research and Forecasts.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Acordo na OPEP é suficiente? Analistas duvidam

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião