Aí está a “enorme” reforma de Trump. IRC baixa para 15%

Os economistas não estão confiantes com esta decisão. A descida é tão grande que o défice vai disparar, defendem.

Donald Trump tinha prometido uma “enorme” reforma fiscal e, esta quarta-feira, anunciou-a (apenas em traços gerais). O Presidente dos Estados Unidos tem intenções de baixar a taxa de IRC para 15%, uma descida significativa face aos atuais 35%. Em contrapartida, deixou cair a proposta de taxar os produtos importados.

É “a maior reforma fiscal e o maior corte de impostos” da história dos Estados Unidos, congratulou-se o secretário de Estado do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, numa conferência. Mas alguns economistas não veem a medida com tanto apreço. Segundo a Bloomberg, muitos alertam que a descida da taxa vai aumentar o défice de tal forma que o corte não deverá perdurar. A BBC fala de biliões de dólares a mais.

Na calha estão também medidas de incentivo ao “repatriamento” das empresas, com benefícios para as que optarem por trazer de volta para os Estados Unidos o dinheiro que tenham noutros locais e de isenção fiscal para despesas com crianças. De acordo com a cadeia de televisão britânica, há igualmente planos para aumentar a dedução fiscal e cortar com diversas outras taxas a empresas e particulares.

Ainda não se conhece o plano em detalhe e não se espera que inclua propostas para aumentar as receitas do Estado. Também não deverá incluir o afamado plano de Trump de investir um bilião de dólares em infraestruturas.

Um plano que se “paga a si próprio”

Um corte nos impostos sobre os lucros das empresas já era previsível, mas a ambição do novo Presidente é bem maior do que o esperado. Na terça-feira, o Comité Conjunto dos Impostos enviou uma carta a Paul Ryan, porta-voz da Casa Branca, alertando que uma taxa de IRC de 20% — cinco pontos percentuais acima da que Trump está a propor — iria criar défices no longo prazo, mesmo que se mantivesse em vigor por apenas três anos.

A Administração Trump espera, em contrapartida, que o plano “se pague a si próprio”, disse Mnuchin esta quarta-feira. O argumento é o de que este plano, que beneficia largamente as empresas, irá conduzir a um rápido crescimento económico. Trump já tinha mostrado descontentamento por aquilo que considera ser um fraco crescimento da maior economia do mundo: “Os Estados Unidos registaram o crescimento económico mais lento em cinco anos. O PIB só subiu 1,6%. Défices comerciais prejudicam bastante a economia”, escreveu no Twitter.

(Notícia atualizada às 15h39 com mais informação)

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