Juncker sobre a Grécia: “Todo o esforço tem limites”

O presidente da Comissão Europeia saiu em defesa dos gregos, pedindo para não haver mais cortes nas pensões. Juncker quer um acordo no Eurogrupo sobre novo alívio da dívida.

O presidente da Comissão Europeia defendeu esta quarta-feira a posição da Grécia. Numa entrevista dada ao site grego Euro2day (conteúdo em grego), citada pelo espanhol Expansión, Jean-Claude Juncker argumenta que não se podem pedir mais cortes nas pensões gregas. “Nas democracias sociais todo o esforço tem limites”, afirmou o ex-primeiro-ministro do Luxemburgo que está ao comando da Comissão desde 2014.

Juncker revelou ainda que transmitiu esta opinião à diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde. “Expressei a opinião de que as instituições não devem impor mais cortes nos sistemas de pensões, uma vez que apenas a parte pobre da sociedade grega é que sofre”, referiu o líder do executivo europeu, não revelando a resposta de Lagarde. O FMI tem defendido que é preciso aliviar a dívida grega, além de pedir mais reformas, nomeadamente no sistema de pensões.

Jean-Claude Juncker vai mais longe dizendo que não se está a dar atenção suficiente ao bom desempenho que a economia grega tem registado. “Temos que reconhecer que a Grécia está a fazer um enorme progresso e seria mau se insistirmos em cortes maiores nas pensões porque nas democracias sociais todo o esforço tem limites”, argumentou. Juncker realçou que o excedente primário obtido pela Grécia em 2016 superou as expectativas das instituições.

O presidente da Comissão Europeia espera que no próximo Eurogrupo, a 22 de maio, haja um acordo para que se alivie a dívida grega. Na sua opinião as medidas de alívio “são muito necessárias”. Caso não haja aprovação das medidas, Juncker espera pelo menos que se discuta um plano sobre futuras medidas de alívio.

O líder do executivo comunitário disse ainda ter uma boa relação com o atual primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e que as decisões europeias têm de ter em conta a situação doméstica dos países “Há sempre de ter em conta a situação doméstica em que se encontra um Governo. É o que fazemos em todos os países e temo de fazer o mesmo com a Grécia”, concluiu.

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