Brexit: Merkel avisa que interesses da UE vêm primeiro

  • Marta Santos Silva e ECO
  • 27 Abril 2017

No dia em que os britânicos revelam, em nova sondagem, estar arrependidos da decisão de sair da UE, a chanceler alemã deixa um alerta: a União vai defender-se a si mesma primeiro nas negociações.

A chanceler alemã, Angela Merkel, alertou esta quinta-feira no Parlamento alemão para aquilo a que chama “ilusões” dos britânicos sobre as complexas negociações de saída da União Europeia que se avizinham, sublinhando que o bloco europeu porá as suas prioridades primeiro.

Citada pela Bloomberg (acesso livre), a chanceler referiu que as negociações devem ser conduzidas “de forma justa e construtiva” por ambas as partes, mas sublinhou que o Reino Unido “não pode ter nem terá os mesmos direitos, ficando numa melhor posição do que um membro da União Europeia”.

“Podem achar que isto é evidente, mas infelizmente ainda tenho que o dizer em termos claros porque creio que alguns no Reino Unido ainda têm ilusões sobre isto”, afirmou Angela Merkel. E, tal como recomendaram alguns deputados portugueses no debate quinzenal desta quarta-feira onde se falou das mesmas negociações, Merkel alertou que a Europa não pode focar-se apenas no Brexit. As questões relacionadas com as alterações climáticas, o comércio livre e os fluxos migratórios continuarão a ser essenciais demais “para a Europa poder concentrar-se em si própria nos próximos dois anos”.

Maioria dos britânicos arrepende-se do Brexit

Uma sondagem divulgada esta quinta-feira pelo jornal britânico The Times e o grupo de sondagens YouGov mostra pela primeira vez, desde o referendo, que a maioria das pessoas acredita que a decisão de sair da União Europeia foi errada. Na sondagem, cujos resultados pode ver no gráfico abaixo, 45% dos britânicos sondados disseram que a decisão tinha sido errada, contra 43% que disseram que seria a certa e 12% que afirmaram não saber.

De acordo com o The Times, é a primeira vez que uma sondagem mostra arrependimento maioritário do resultado do referendo. Apesar de tudo, a proximidade dos resultados demonstra que o país continua dividido em vésperas de uma nova eleição legislativa que deverá, de acordo as atuais sondagens, recolocar Theresa May no lugar de primeira-ministra.

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