As empresas estão menos endividadas. Em parte porque muitas fecharam as portas

  • Margarida Peixoto
  • 3 Maio 2017

Os níveis de endividamento das empresas têm vindo a diminuir. A tendência é positiva, mas os dados escondem uma dura realidade no terreno: isto acontece, em parte, porque muitas fecham as portas.

Ao longo dos últimos anos, as empresas têm conseguido reduzir os seus níveis de endividamento. Os dados do Banco de Portugal mostram que tem sido assim desde 2012. Mas parte desta redução aconteceu porque muitas empresas fecharam atividade, mostra o Boletim Económico publicado esta quarta-feira.

O processo é conhecido como “desalavancagem das empresas privadas não financeiras” e é, genericamente, uma evolução no sentido que é preciso: enquanto as empresas não baixarem os seus níveis de endividamento, a sua capacidade de investimento e de crescimento continuará limitada.

"A melhoria da situação financeira agregada das empresas portuguesas deve-se em parte à saída do mercado das empresas mais endividadas e menos rentáveis.”

Banco de Portugal

Boletim Económico de maio

Mas o Banco de Portugal veio acrescentar um dado importante para perceber o que tem acontecido no terreno e não apenas na teoria dos números. “A melhoria da situação financeira agregada das empresas portuguesas deve-se em parte à saída do mercado das empresas mais endividadas e menos rentáveis”, lê-se numa caixa do boletim.

Traduzindo, quer dizer que um contributo importante para a melhoria do rácio — a análise concentra-se nos anos de 2011 a 2015 — resulta não tanto da capacidade de as empresas amortizarem as suas dívidas e contraírem menos empréstimos, mas antes porque as empresas mais endividadas têm fechado atividade, deixando a sua dívida de pesar na estatística.

“O contributo negativo para a variação da dívida decorrente da saída de empresas do mercado foi particularmente evidente em 2015”, adianta ainda o documento. É que, em média, as empresas que fecham atividade são 33,9 pontos percentuais mais endividadas do que as que permanecem.

Os economistas do Banco de Portugal verificaram que o contributo do encerramento de empresas para o rácio da dívida é particularmente significativo no universo das pequenas e médias empresas (em 2015 este contributo foi de cerca de nove mil milhões de euros), e menos relevante entre as grandes empresas (ficou-se em torno de 1.500 milhões de euros). Por setores de atividade, destaca-se um contributo mais relevante na construção, seguido pelo comércio e em menor medida na indústria transformadora.

Para além de mostrar a dureza do ajustamento no terreno, a análise do Banco de Portugal evidencia que parte da redução do endividamento visível no universo empresarial não representa o fim de um problema, mas antes se reflete numa dificuldade para as instituições financeiras, que ficam a braços com dívida difícil de recuperar. O boletim nota que “mesmo após o encerramento de uma empresa, a existência de ativos e de garantias pessoais permite que uma parte da dívida possa ainda ser amortizada”, razão pela qual esta dívida não desaparece, de imediato e por inteiro, dos balanços dos bancos. Mas esta questão não foi aprofundada pelos economistas.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

As empresas estão menos endividadas. Em parte porque muitas fecharam as portas

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião