Isabel dos Santos acusa Balsemão de “ganância comercial”

  • Ana Batalha Oliveira
  • 8 Junho 2017

Isabel dos Santos acusa Pinto Balsemão de "ganância comercial" através do Twitter. As acusações vêm dias após o corte da emissão de dois canais da SIC da televisão angolana, sem justificação.

Isabel dos Santos acusa Pinto Balsemão, de “inconfessável ganância comercial” através da rede social Twitter. A crítica refere-se ao preço dos serviços da cadeia de televisão portuguesa. Este ataque surge dias após o corte da emissão de dois canais da SIC da televisão angolana, por motivos que a que o próprio grupo Impresa se assume “alheio”.

Pouco passava da meia-noite em Portugal quando a filha do chefe de estado angolano, José Eduardo dos Santos, atacou publicamente Pinto Balsemão (sem definir se se referia ao fundador do grupo ou ao filho que agora o gere) através da rede social Twitter. A “inconfessável ganância comercial” que aponta no tweet deve-se ao preço exigido pela SIC, que compara ao de canais de referência internacional como a BBC e a Aljazeera. O preço exigido pela SIC ascende a um milhão por ano, enquanto a BBC e Aljazeera pedem 33 mil euros e 66 mil euros, respetivamente, pelo mesmo período de emissão.

A publicação está disponível em três línguas: português, inglês e francês. As traduções não são novidade na conta Twitter da empresária angolana, mas a versão francesa deste tweet apresenta uma diferença: vem em resposta à agência de notícias angolana AFP, que difunde a notícia do corte de dois canais da SIC com a frase “Angolanos privados de duas estações de TV consideradas muito críticas [do governo Angolano]”. Neste tweet, Isabel acrescenta que “a razão [para o corte dos canais] é comercial e não política”.

O serviço de transmissão angolano, a DStv, cortou a emissão da SIC Notícias e da SIC Internacional Angola, isto já depois de ter sido cancelada a emissão através da Zap, operadora de Isabel dos Santos. O grupo Impresa manifestou-se na altura também através das redes sociais, referindo que a SIC estava “totalmente alheia” da decisão de cessar a transmissão destes dois canais.

Isabel dos Santos detém 70% do capital da operadora Zap, através da Sociedade de Investimentos e Participações. Os restantes 30% são propriedade da portuguesa Nos, que se abstém de declarações.

Artigo editado por Paulo Moutinho (paulomoutinho@eco.pt)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Isabel dos Santos acusa Balsemão de “ganância comercial”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião