Marcelo: chegou a hora de “apurar tudo, mas mesmo tudo”

  • Margarida Peixoto
  • 24 Junho 2017

Chegou o momento de exigir responsabilidades: o Presidente da República quer apurar tudo o que houver a apurar sobre a tragédia de Pedrógão Grande, "sem limites ou medos."

Acabou o período das tréguas políticas. Num depoimento publicado este sábado no Expresso (acesso condicionado), o Presidente da República marca a viragem do tempo político e avisa que chegou a hora de “apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar.” Do estrutural ao conjuntural, das causas às respostas, do plano técnico ao institucional. E das conclusões, há que tirar “utilidade”, frisa.

“Agora, que a fase do combate parece estar a chegar ao seu termo, e que os passos para a reconstrução já recomeçaram, é tempo de, sem limites ou medos, se apurar o que, estrutural ou conjunturalmente, possa ter causado ou influenciado, quer o sucedido, quer a resposta dada. No plano técnico, como no institucional. Num prazo que não esvazie o significado do apuramento nem acabe por retirar utilidade às suas conclusões“, escreve Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República começou por explicar o sentido da sua primeira reação aos incêndios de Pedrógão Grande, que até ao momento causaram 64 mortes e mais de duas centenas de feridos. Lembrou a comunicação de domingo passado aos portugueses, quando pediu que as “interrogações e sentimentos” perante “uma tragédia quase sem precedente na história do Portugal Democrático” não fossem esquecidas, mas fossem de algum modo postas em suspenso.

Mas agora, que a fase de combate se aproxima do fim e que a reconstrução já começou, chegou o momento de exigir responsabilidades. E aqui o Presidente deixa bem claro que não haverá tréguas nem limites: é para “apurar tudo” e retirar as consequências que houver a retirar.

“Terminar a árdua missão dos últimos dias, acelerar a reconstrução, e apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar — estes os imperativos da presente hora.

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República

O Presidente avisa ainda que os meses aí vêm são “muito exigentes” e diz depois de ter promovido um clima de “unidade nacional” para o primeiro momento da reação, garante agora “renovado apoio” às “iniciativas e convergências entre partidos políticos.” Mas a sua missão é assegurar que “todas as interrogações sobre factos e responsabilidades tenham uma resposta rápida e exaustiva”, sublinha.

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