Acusados de lutas na Autoeuropa, o que dizem Bloco e PCP?

  • Marta Santos Silva
  • 30 Agosto 2017

Entre acusações de jogada política e "assalto ao castelo" por parte dos sindicatos da CGTP, como estão a reagir as direções dos partidos? Catarina Martins e o Partido Comunista já responderam.

Foi António Chora, bloquista e ex-coordenador histórico da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, quem começou a pôr as acusações no campo de debate: para o coordenador reformado, o sindicato SITE- Sul, — afeto à CGTP que por sua vez está ligada ao Partido Comunista Português, — faz um “assalto ao castelo” na “tentativa de o PCP pressionar o Governo para algumas cedências noutros lados”.

Não foi o único a considerar a greve desta quarta-feira na Autoeuropa, que paralisou a fábrica da Volkswagen em Palmela, uma jogada política. Torres Couto, numa entrevista à TSF, disse que se tratava de “uma jogada política clássica”, que seria além disso um “fortíssimo revés” à paz laboral que antes se sentia na fábrica.

“Obviamente que o que está por trás disto é uma tentativa da CGTP — e, através dela, do PCP — para ganhar espaço negocial com o Governo, com o PS mas também com o Bloco de Esquerda. Convém não esquecer que [António] Chora era do Bloco de Esquerda e que, agora, o PCP tomou as rédeas” da Autoeuropa, considera.

Por entre estas acusações, os partidos visados — o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista — evitaram responder diretamente, mas não deixaram de dizer o que pensam sobre a greve inédita na Autoeuropa.

Os dirigentes do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português nas bancadas parlamentares.Paula Nunes / ECO

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, falou ontem, terça-feira, sobre a greve na Autoeuropa como um acontecimento que a deixava apreensiva, já que “é uma das maiores empresas portuguesas, uma das maiores exportadoras”. Para a coordenadora bloquista, o conflito laboral precisa de ser resolvido. “Julgo que tem existido alguma inflexibilidade nestas negociações”, afirmou, citada pela Lusa, referindo-se ao diálogo entre a Comissão de Trabalhadores, agora demissionária, os sindicatos e a administração da empresa. “Preocupa que a administração também diga que agora não quer negociar”.

“Estamos a falar de um aumento da capacidade produtiva da Autoeuropa bastante grande, a possibilidade de mais dois mil postos de trabalho em Portugal, não é coisa pouca, e é preciso que este aumento de produção se faça naturalmente com um diálogo com os trabalhadores, com os direitos dos trabalhadores”, sublinhou a coordenadora. Para Catarina Martins, “a Autoeuropa tem sido um exemplo desse diálogo e tem sido um exemplo do respeito pelos seus trabalhadores, que é bom que se mantenha”.

O Partido Comunista Português, por sua vez, reagiu esta manhã de quarta-feira em comunicado às redações, evitando responder às acusações de que a greve seria uma jogada política da parte dos sindicatos ligados ao partido. “É por isso natural que os trabalhadores tomem posição sobre esta questão e defendam os seus direitos. É isto que está em causa e cabe aos trabalhadores e às suas organizações representativas definir as suas posições e formas de luta, como se verifica com os plenários realizados e com a greve de hoje“, lê-se no comunicado.

Também o PCP reconheceu a importância da Autoeuropa no setor e o seu papel na economia nacional. No entanto, critica a proposta da administração que levou a esta greve. “A proposta da administração não garante o sábado como dia de descanso e apenas permite que um trabalhador tenha um fim de semana seguido de seis em seis semanas. Na Autoeuropa o trabalho efetuado aos sábados, domingos e feriados foi sempre considerado como trabalho extraordinário e pago como tal”, refere ainda o comunicado. “Tal como os trabalhadores têm afirmado é necessário encontrar soluções que permitam responder à defesa dos seus direitos e ao desenvolvimento da produção nesta empresa”.

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