Um dia parado na Autoeuropa são menos 400 carros

  • Marta Santos Silva
  • 29 Agosto 2017

Os trabalhadores da Autoeuropa rejeitam o novo horário que os obrigaria a trabalhar sábados e por isso vão parar a partir das 23h30 de hoje. Para a Autoeuropa, são quatro centenas de carros a menos.

Este é o T-Roc, o novo modelo que vai ser produzido em Palmela e que vai obrigar a mudar os horários.

É um dia de paralisação: das 23h30 de 29 de agosto até à meia-noite de dia 30. O impacto, para a Autoeuropa, é fácil de calcular: “Fazemos cerca de 400 carros por dia”, resume fonte oficial da empresa ao ECO, pelo que será esse o impacto de um dia de paragem. Porquê esta greve, convocada pelos sindicatos afetos à CGTP?

Para manter os objetivos da Volkswagen para a fábrica, procurava-se um acordo de horários em que os trabalhadores da Autoeuropa trabalhassem aos sábados, com uma folga semanal rotativa e uma fixa aos domingos, além de passar a haver três turnos diários. Em contrapartida, o acordo de princípio previa um pagamento mensal de 175 euros adicional ao previsto na lei, 25% de subsídio de turno e um dia adicional de férias.

A Comissão de Trabalhadores, que habitualmente representa os funcionários da empresa junto dos dirigentes, chegou a um pré-acordo que acabou chumbado por mais de 70% dos trabalhadores votantes. Resultado? A Comissão de Trabalhadores demitiu-se e os sindicatos afetos à CGTP passaram a representar os trabalhadores.

O que pretendem os sindicalistas? Segundo um dos sindicatos envolvidos, a Fiequimetal, a greve acontece por cinco motivos:

  1. Contra a alteração e agravamento dos horários de trabalho;
  2. contra a obrigatoriedade de trabalhar ao sábado;
  3. pelo direito à conciliação da vida familiar com a vida profissional;
  4. pelo direito a uma vida laboral que preserve a saúde;
  5. [e] por outra solução que salvaguarde os interesses dos trabalhadores.

A paralisação da empresa por pouco mais de 24 horas vai acabar por custar cerca de 400 carros a uma fábrica que foi a escolhida para fazer o novo modelo T-Roc.

Rogério Silva, representante da Fiequimetal, disse ao ECO que tem grandes expectativas para esta quarta-feira. “Esperamos que seja uma boa greve”, afirmou. “Mostrou-se uma grande coesão e determinação dos trabalhadores no sentido de levar por diante aquelas que são as suas exigências”.

Eduardo Florindo, do sindicato Site-Sul, explicou ao ECO que as conclusões do plenário de trabalhadores desta segunda-feira vão ser entregues hoje, terça, aos dirigentes da Autoeuropa. “A partir daí vamos ver se vamos reunir com eles”, disse, pondo de parte que a reunião ocorresse antes da greve ou viesse a impedi-la. “Os trabalhadores foram muito participativos” nos dois plenários de segunda, explicou. O trabalho aos sábados é o principal fator que mobiliza os colaboradores da Autoeuropa. “É complicado, porque mexe com a vida social e traz mesmo problemas de saúde”, argumentou.

O que acontece agora? Para já, o pré-acordo negociado com a Comissão de Trabalhadores demissionária e que foi rejeitado em referendo não entra em vigor. A sua entrada em vigor só estava planeada para a partir de novembro numa secção da fábrica, e a partir de fevereiro de 2018 em toda a fábrica. “Por isso é que o administrador diz que as questões têm de estar resolvidas até ao final de outubro”.

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