PSD defende “estabilidade fiscal” nos escalões de IRS

  • Lusa
  • 2 Setembro 2017

O líder do PSD defendeu que o Governo devia "privilegiar a estabilidade fiscal" e acusou o executivo de António Costa de estar a fazer a discussão orçamental de uma forma "que não é séria".

Pedro Passos Coelho desafiou o primeiro-ministro a fazer uma escolha e apresentar o Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) antes das eleições autárquicas de 1 de outubro ou ser um “bocadinho mais contido” no que revela sobre aquele documento.

No sábado, na ‘rentrée’ socialista, o primeiro-ministro, António Costa, assegurou que o OE2018 continuará a aumentar o rendimento das famílias e, por isso, serão introduzidos mais escalões no IRS, “para que quem ganhe menos, pague menos”.

“O Governo devia privilegiar a estabilidade fiscal, o que significa não andar a mexer nos escalões. Se andarmos a mexer todos os anos nos escalões isso não dá estabilidade, as pessoas têm uma noção menos fácil de qual é a tributação que podem vir a ser sujeitas. Se o Governo tem alguma folga para baixar os impostos, deve fazê-lo nos escalões que existem”, defendeu o ex-primeiro-ministro.

Também a propósito do que tem vindo a ser revelado sobre o que pode vir a estar contemplado no OE2018, Pedro Passos Coelho voltou a criticar a “insistência que o Governo faz na abordagem orçamental”, considerando que “está a conflituar” com a proximidade das eleições autárquicas.

“Isto de dar as notícias que se entendem como sendo boas até às eleições autárquicas, guardando as que podem ser menos boas ou desfavoráveis para depois, não é uma forma séria de fazer a discussão orçamental”, acusou. Por isso, o líder social-democrata apontou duas possibilidades a António Costa.

“O Governo devia fazer uma de duas opções. Ou apresenta o Orçamento antes das eleições autárquicas para os portugueses saberem todos com que é que vão contar quando vão fazer as suas escolhas, ou entende manter o calendário normal, e está no seu direito, ou então devia ser um bocadinho mais contido na forma como utiliza a discussão orçamental para favorecer as candidaturas autárquicas dos partidos que suportam o Governo”, apontou.

Isto de dar as noticias que se entendem como sendo boas até as eleições autárquicas guardando as que podem ser menos boas ou desfavoráveis para depois, não é uma forma séria de fazer a discussão orçamental“, enumerou.

PSD alerta que “guerras sindicais” podem “desbaratar” conquistas da Autoeuropa

O líder do PSD alertou na sexta-feira à noite para que “guerras sindicais” e “razões de pequena política” podem “vir a desbaratar” as conquistas da Autoeuropa e pôr em causa o “peso nas exportações” que a multinacional representa.

“Eu não gostaria de que, por razões de pequena política, esse resultado [a conquista pela Autoeuropa da produção de um novo modelo automóvel], que foi um resultado tão importante para a economia portuguesa, para os portugueses, pudesse vir a ser desbaratado por guerras sindicais que têm outro objetivo”, afirmou Pedro Passos Coelho, em Vila Real, na sexta-feira à noite, à margem da apresentação das listas autárquicas naquele concelho.

O ex-primeiro-ministro salientou ainda que a primeira greve na história daquela multinacional ocorreu quando a “geringonça” está no poder, o que é um “indicador” das prioridades dos partidos que a sustentam.

“Hoje, creio que dentro da própria maioria já se ouvem acusações mútuas, nomeadamente entre o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, sobre a instrumentalização que está em curso e que pretende, de certa maneira, dar à CGTP uma porta de entrada mais significativa naquela empresa e na relação de forças com o Governo“, salientou Pedro Passos Coelho.

Para o presidente dos sociais-democratas, “o que devia estar ali em causa era a possibilidade de mais trabalhadores poderem ser contratados, mais emprego e, portanto, crescer com aquilo que foi a ampliação com o novo modelo”, decidido ainda no tempo em que o PSD era governo, coligado com o CDS-PP, mas, referiu, “isso manifestamente está a passar para um segundo plano”.

Aquela inversão, alertou, tem consequências: “É negativo porque nós precisámos cada vez de maior capacidade exportadora, maior capacidade de gerar emprego e emprego sustentável”, explicou.

Passos Coelho referiu que “para o ano Portugal deveria beneficiar muito em termos de exportações, de peso nas exportações, da produção deste novo veiculo na Autoeuropa e era muito importante que Portugal mantivesse do lado destes investidores um perfil muito competitivo, em que as divergências, a existir, entre a Comissão de Trabalhadores e a administração da empresa pudessem ser superadas como foram em todos estes anos”.

Alias, salientou, “esta foi, portanto, a primeira greve em mais de 25 anos” de presença da Autoeuropa em Portugal. “A primeira greve com a ‘geringonça’. Ela não aconteceu antes, o que deve dar um indicador de como para os partidos que a compõem aspetos como os que eu referi estão num segundo plano e outros têm tido uma proeminência maior, tanto mais que se chegou à greve”, concluiu.

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