Lucro do Fundo Soberano é positivo mas vantagem para Angola “não é clara”

  • Lusa
  • 23 Setembro 2017

O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) registou lucros pela primeira vez. A Economist destaca o feito, mas diz que o FSDEA não tem um papel explícito de estabilização da economia.

A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que os lucros do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), alcançados pela primeira vez, são um “desenvolvimento positivo”, mas salienta que a vantagem para os cofres do Estado “não é clara”.

“O desempenho melhorado do Fundo, pelo menos no papel, é um desenvolvimento positivo dada a atual volatilidade nos mercados globais”, escrevem os peritos da unidade de análise económica da revista ‘The Economist’.

No comentário à divulgação dos resultados de 2016, enviado aos analistas e a que a Lusa teve acesso, a EIU diz que, “apesar de mais ativos quererem dizer potencialmente mais dinheiro para investir na economia nacional e regional, o benefício maior do fundo para o Governo de Angola é menos claro”.

Isto acontece, explicam os analistas, porque, “ao contrário de outros fundos africanos, o FSDEA não tem um papel explícito de estabilização da economia, o que significa, por exemplo, que não pode ser usado para compensar as reservas internacionais quando estiverem sob pressão por causa do baixo preço do petróleo, a maior exportação do país”.

O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) alcançou, em 2016, um resultado líquido de 44 milhões de dólares (36,8 milhões de euros) e uma redução de despesas operacionais de 40% comparativamente a 2015, ano em que teve prejuízos de 134 milhões de dólares.

Em comunicado de imprensa, o FSDEA sublinha que os rendimentos resultam de uma “política de investimento prudente e do retorno positivo dos investimentos no ramo da agricultura e das infraestruturas”.

Os ativos totais do FSDEA passaram de 4,75 mil milhões de dólares (3,9 mil milhões de euros), em 2015, para 4,99 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros) em 2016, tendo 58% da carteira total sido dedicada a ativos na África subsariana, 10% na América do Norte, 12% na Europa e 20% no resto do mundo.

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