Passos Coelho: “Sinto vergonha pelo que se passou no país nestes meses”

  • Margarida Peixoto
  • 18 Outubro 2017

Pedro Passo Coelho criticou duramente o primeiro-ministro, defendendo que nunca pensou que houvesse um Governo que se comportasse desta maneira. "Não merece uma segunda oportunidade", disse.

Pedro Passos Coelho criticou duramente o primeiro-ministro António Costa, dizendo que sente “vergonha pelo que se passou no país nestes últimos meses.” O ainda líder do PSD defendeu que o que se passou, a tragédia provocada pelos incêndios deste ano, “implica um pedido de desculpa” e que o Executivo “não merece uma segunda oportunidade”.

Há uma “clara responsabilidade do primeiro-ministro nesta situação”, defendeu Passos Coelho, frisando que António Costa “toma decisões quando elas se impõem por si próprias, porque não há outra coisa a fazer.”

Em declarações transmitidas pela RTP3, o presidente do PSD reconheceu a “forma heroica como as pessoas se comportaram, que sabiam que não podiam contar com a ajuda de mais ninguém, nem do Estado, para se salvarem” e isso “implica um pedido de desculpa, de perdão do Estado, independentemente da responsabilidade direta” de cada governante.

“Sairei da liderança do PSD, não é por isso que digo isto: sinto vergonha pelo que se passou no país nestes meses. Nunca pensei que houvesse um Governo que se comportasse desta maneira, nestes termos. O que interessa não é salvar a pele do Governo. Este Governo não merece uma segunda oportunidade porque deitou fora todas as oportunidades que tinha,” disse o ainda presidente do PSD.

Passos continuou num tom duro: “O Estado falhou clamorosamente.” E ainda se referiu ao discurso do Presidente da República desta terça-feira, notando que até Marcelo “sentiu que [a morte de mais de 100 pessoas nos incêndios] era uma perda que pesava no seu mandato porque é Presidente da República e representa o seu país.”

Sobre o momento da saída da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, Passos argumentou que o primeiro-ministro se demitiu das suas responsabilidades ao permitir que a saída acontecesse quando a própria ministra diz que “já ninguém a convence a ficar.” E acusou: “Enquanto a ministra recebesse as críticas, elas não eram dirigidas ao primeiro-ministro, o que mostra todo o caráter.”

O primeiro-ministro não tem nenhumas condições para inspirar confiança ao país.

Pedro Passos Coelho

Presidente do PSD

E quase pediu a demissão de António Costa: “Acho que o primeiro-ministro não tem nenhumas condições para inspirar confiança ao país. Sinto vergonha pelo que se passa, o país não merecia ter um Governo que se comportasse desta maneira.”

A rematar, Pedro Passos Coelho acusou ainda o Governo e o Bloco de Esquerda de terem “um negócio feito para dizer que o problema da floresta é um problema de eucaliptos.”

(Notícia em atualização)

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