Santana Lopes: permanência da MAI “já não é solução”

  • Lusa
  • 18 Outubro 2017

Santana Lopes diz que foi "um erro político manifesto" o não prolongamento da fase Charlie e que entende a moção de censura avançada pelo CDS.

O candidato à liderança do PSD, Pedro Santana Lopes, defendeu esta quarta-feira a saída da ministra da Administração Interna do Governo, considerando que a sua permanência no executivo “já não” é solução.

Na sua última participação no programa de debate na SIC Notícias com o socialista António Vitorino, o antigo primeiro-ministro falou dos incêndios que deflagraram no domingo e provocaram pelo menos 41 mortos, deu “um suficiente menos” à proposta de Orçamento do Estado e, a propósito do seu adversário na corrida à liderança do PSD, defendeu que o partido precisa de mais do que “um líder para fazer contas”.

Tem sido dito que a senhora ministra da Administração Interna sair não é solução. E ficar, será que é solução? Eu penso que já não“, disse, defendendo que quando “tragédias como esta” acontecem as responsabilidades “caem em cima dos responsáveis políticos”.

“O país sente-se de algum modo incomodado, para não dizer insultado, se as coisas continuarem como estão”, afirmou, elegendo o combate ao flagelo dos incêndios como uma das matérias de consenso interpartidário.

Santana Lopes considerou que foi “um erro político manifesto” o não prolongamento da fase Charlie, a mais crítica de combate aos incêndios, e disse entender a moção de censura do CDS-PP, embora defendendo que o PSD tem de ter outra ponderação, até pela fase de disputa de liderança que atravessa.

O Governo merece de facto censura política, se se deve traduzir ou não numa moção de censura é outra questão.

Pedro Santana Lopes

“O Governo merece de facto censura política, se se deve traduzir ou não numa moção de censura é outra questão”, disse, defendendo a figura da moção de censura construtiva, como existe noutros países, e que não provoca a queda do Governo.

Santana Lopes elogiou a comunicação ao país do Presidente da República — Marcelo Rebelo de Sousa “foi a voz da consciência nacional” — e considerou que as declarações iniciais do primeiro-ministro, António Costa, sobre este assunto, na madrugada de segunda-feira, “não foram um momento feliz“.

 

 

Um Orçamento que merece “suficiente menos”

Questionado sobre a proposta de Orçamento do Estado apresentado na sexta-feira, o candidato à liderança do PSD afirmou que lhe dá “uma nota positiva”, pela consolidação orçamental, mas apenas um “suficiente menos, quando o país precisava de um orçamento bom ou muito bom”.

Santana Lopes apontou vários sinais errados no documento, considerando que aposta pouco na atração do investimento estrangeiro e sobrecarrega os trabalhadores independentes.

“Por causa da satisfação aos parceiros da coligação estamos a prejudicar as possibilidades de continuar a crescerlamentou, dizendo que “os trabalhadores portugueses ganham mais com crescimento da economia e com o aumento do investimento do que com a mera devolução de alguns euros”.

A candidatura está aí

Santana Lopes justificou a marcação da apresentação da sua candidatura para Santarém, no domingo, por ser “um cruzamento estratégico de várias vias de todo o país” e por ser uma terra de “aposta no futuro”, com um autarca jovem, e que valoriza a agricultura.

Questionado sobre as diferenças em relação ao outro candidato anunciado, Rui Rio, o antigo primeiro-ministro disse que elas serão expostas “serena e calmamente” e manifestou-se disponível para debates organizados pelos órgãos de comunicação social.

“Algumas matérias é importante falar delas, como o que aconteceu em 2013, no auge do Governo de Passos Coelho: ouvi Rui Rio dizer, numa nota de humor, que nunca criticou o Governo de Pedro Passos Coelho”, afirmou, contrapondo com intervenções do antigo autarca, nessa altura, em palcos como a Associação 25 de Abril ou a Aula Magna. Santana Lopes defendeu que, mais do que nunca, o PSD precisa de uma liderança “não crispada”.

“O PPD/PSD não pode ter um líder para fazer contas, tem de saber fazer contas, mas tem de saber que a sua primeira tabuada é o que os portugueses pensam e o que os portugueses passam”, defendeu.

Santana Lopes não se quis alongar sobre a acusação, revelada na semana passada, no âmbito da operação Marquês, dizendo apenas que “é muito desagradável” ver um antigo primeiro-ministro acusado por matérias como corrupção. “É grave para o regime“, disse.

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