Santana Lopes apresenta candidatura: “Nunca fiz coro com os adversários do PSD”

  • Marta Santos Silva
  • 22 Outubro 2017

Na apresentação da sua candidatura à liderança do PSD, Pedro Santana Lopes deixou mensagens ao que é, até agora, o seu principal adversário, Rui Rio. E quis pôr o passado - 2004 e 2005 - para trás.

Pedro Santana Lopes apresentou este domingo a sua candidatura à liderança do PSD, com o lema de “Unir o partido, ganhar o país”, e referindo ainda outro no seu discurso, no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) em Santarém: “Por um PSD cada vez mais PPD”. E não poupou o rival Rui Rio — nem a ‘Geringonça’, a que rejeita chamar assim.

Falando sobre o futuro do seu próprio partido social-democrata, conhecido originalmente como PPD-PSD, sublinhou a importância da primeira parte da sigla, ao afirmar: “Por um PSD cada vez mais PPD”. E acrescentou: “Pela nossa ideologia, pelo nosso programa. Mas ao mesmo tempo para sermos um partido cada vez mais popular, próximo das pessoas. (…) Popular porque rejeita o predomínio de castas ou iluminados. Popular porque quer ser sempre o partido das bases“.

A Rui Rio deixou uma mensagem clara, num longo parágrafo perto do início do seu discurso, que foi interrompido repetidamente por aplausos: “Defendi durante estes anos o trabalho de Pedro Passos Coelho. Fi-lo com honra e com sentido de responsabilidade perante o país. Nunca fui para a Aula Magna fazer sessões com o Bloco de Esquerda ou com Mário Soares. Nunca fui para a Associação 25 de Abril ouvir elogios de Vasco Lourenço na altura em que o partido salvava Portugal da bancarrota. (…) Quando o PPD-PSD estava a chegar ao momento de conseguir a saída limpa, no termo da ajuda externa, eu nunca fui nessa altura para essas instituições dizer que, e passo a citar: ‘a democracia está mais difícil, estamos a caminho de uma ditadura corporativa’, fazer coro com os adversários do meu partido. Nunca o fiz”, completou.

Pedro Santana Lopes assinalou ainda que tinha recomendado a Pedro Passos Coelho que se houvesse um prazo mais alargado para a campanha, “por uma razão simples: Porque acho que os militantes têm direito a fazer esta clarificação com todo o conhecimento”. E acrescentou um desafio: “Gostava de sugerir que as distritais organizassem cada uma um debate, para os militantes poderem estar juntos, poderem ouvir, poderem conhecer”.

Geringonça “é o que eles querem” que lhes chamem

Pedro Santana Lopes não poupou o atual Governo e a maioria parlamentar que o suporta, que optou por não chamar de ‘Geringonça’. “Eu não gosto de chamar de ‘Geringonça’. Não sei se já repararam que eles adotaram o termo. Acho que pensam que tem alguma componente de afeto”, afirmou. “Chamá-los de ‘Geringonça’ é o que eles querem”.

Para si, esclareceu o agora candidato à liderança do PSD, “eles são uma frente de esquerda e extrema-esquerda, com os comunistas, de que o Partido Socialista se aproveita”. E não acabaram aqui as críticas: Santana Lopes também criticou as divisões entre a base parlamentar do Governo nalguns setores, e disse que o Executivo de António Costa “é mau para o nosso país”.

“Somos o único país da Europa onde isto acontece. Ainda por cima, acontece disfarçando-se, não se assumindo, querendo outra designação, e disfarçando o seu próprio programa pondo-o de lado”, concluiu, afirmando querer “mostrar aos portugueses” que merecem melhor, e que a alternativa é o PSD.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Santana Lopes apresenta candidatura: “Nunca fiz coro com os adversários do PSD”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião