S&P baixa rating da Venezuela para ‘default’ seletivo

  • Lusa
  • 14 Novembro 2017

A agência de rating S&P baixou a classificação do país de Nicolás Maduro para default (incumprimento seletivo), devido à falta de pagamento de 200 milhões de dólares de títulos de dívida.

A agência de rating Standard & Por’s (S&P) baixou esta terça-feira a classificação da Venezuela, a longo e curto prazo, em moeda estrangeira, de “CC/C”, moratória com pequena expectativa de recuperação, para “SD/D”, default ou incumprimento seletivo.

A medida, segundo a S&P, deve-se à falta de pagamento de 200 milhões de dólares (172,41 milhões de euros) de títulos globais, uma vez vencido o período de graça de 30 dias, o que poderá desencadear um incumprimento nos pagamentos da sua dívida externa, nos próximos três meses.

Baixamos duas classificações a ‘D’ (default) e baixamos a classificação da dívida soberana em moeda estrangeira a longo prazo para ‘SD‘ (default parcial)”, lê-se num comunicado da S&P.

Segundo a agência de rating, se o Governo venezuelano “remediar o default nos pagamentos vencidos e continuar a realizar oportunamente outros pagamentos, antes de completar a operação de reestruturação da dívida, a classificação soberana dos títulos a longo prazo, em moeda estrangeira, será elevada para ‘CC’ (moratória com expectativa de recuperação)”.

A queda na classificação ocorre depois de o Governo venezuelano convocar os detentores de títulos de dívida do Estado e da empresa estatal Petróleos da Venezuela SA (PDVSA), para uma reunião com o propósito de reestruturar e refinanciar a dívida. Na reunião, realizada segunda-feira em Caracas, participaram uma centena de credores, segundo a imprensa venezuelana.

Teve uma duração de apenas 30 minutos e concluiu sem a apresentação de propostas de reestruturação e refinanciamento dos títulos de dívida venezuelanos e sem que os participantes tivessem tido a oportunidade de fazer perguntas. Na reunião, o vice-Presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, acusou o Escritório de Controlo de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento de Estado dos Estados Unidos de atuar como “um tribunal da inquisição”, de bloquear e fazer um cerco financeiro ao seu país.

E, acrescentou o vice-Presidente venezuelano, “acabou com as poucas vias que ainda permitiam que a Venezuela se desenvolvesse amplamente no mercado financeiro internacional”. Tareck El Aissami, que também preside à Comissão Presidencial para renegociar os termos da dívida externa e da petrolífera venezuelana, insistiu que a reestruturação convocada pelo Presidente Nicolás Maduro, tinha como propósito superar as “agressões financeiras norte-americanas” e “garantir atenção social ao povo venezuelano”.

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