Marcelo acelera calendário até às eleições de 2019. É preciso passar da reflexão à ação

Marcelo desafiou grupos como a Plataforma do Crescimento Sustentável a passarem da reflexão à ação. Especialmente por causa da negociação dos fundos comunitários. "Não basta verem mais longe".

Era ‘apenas’ mais um encerramento de mais uma conferência, desta vez promovida pela Plataforma do Crescimento Sustentável, mas Marcelo Rebelo de Sousa tinha outra ideia. Num discurso escrito – pouco usual no Presidente – enumerou nove pontos essenciais para o país, admitiu que um consenso na reforma do Estado é uma miragem, e provocou Jorge Moreira da Silva, o presidente daquela plataforma: É preciso passar da reflexão à ação e tem de ser até às eleições de 2019, especialmente por causa do novo quadro comunitário 2020/2030, cuja negociação começa neste início do ano. “Não basta verem mais longe”…

O encontro da Plataforma liderada por Moreira da Silva, um social-democrata sem militância partidária porque é um alto quadro da OCDE, tinha um propósito: A discussão de um relatório sobre a reforma do Estado e do sistema político, que foi apresentado no último painel do dia por Hélder Rosalino, antigo secretário de Estado da Administração Pública e atual administrador do Banco de Portugal. Marcelo já tinha feito o trabalho de casa e, além dos sete pontos que estiveram em discussão nos vários painéis, até identificou nove. Uns em que o país está adiantado, como a energia, outros a que já chegou, como os ‘Portugais esquecidos’ e a coesão territorial e outros ainda em que a situação política não permite qualquer consenso, como é o caso da reforma do Estado. “Que todos concordam, mas com visões opostos”, afirmou Marcelo. “Infelizmente, os consensos são um sonho adiado, e é uma pena que o sejam”.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, no Congresso organizado pela Plataforma para o Crescimento Sustentável.

Os problemas identificados por Marcelo são outros. E são dois: O tempo e a fórmula de passagem. “Muito do que se apresenta perde o seu vigor se não passa à prática rapidamente”, atirou. E tinha um calendário na cabeça, dirigido diretamente a Jorge Moreira da Silva. Já no início de fevereiro começa a discussão sobre o plano 2020/2030 relativo ao novo pacote de fundos europeus. “As melhores ideias, se não influenciarem já, ficarão à margem de Portugal”. Para o Presidente, o calendário é mesmo os próximos dois anos, até às eleições em 2019, porque terá de ficar tudo fechado em 2018 em Portugal e em 2019 na Europa.

Marcelo admite que há outros temas a suscitar a atenção dos portugueses, mas questiona se há coisas mais importantes do que definir 65% a 80% do investimento público, o que corresponde aos fundos comunitários. Marcelo reuniu esta sexta-feira o conselho de Estado, prescisamente para discutir os fundos europeus. E isso levou o Presidente a apontar o segundo ponto, numa espécie de provocação política a Moreira da Silva. Se já não tivesse passado as eleições do PSD, até poderia sugerir outra coisa… Mas o desafio fica também para Rui Rio, o novo presidente-eleito do PSD.

Marcelo desafiou a Plataforma para o Crescimento Sustentado, e particularmente, Jorge Moreira da Silva, a passar da reflexão para a ação. A plataforma é de ação, diz, seria uma pena que as ideias ficassem para “memória futura”. E cita um versão alterada de um adágio popular: “quem espera… nunca alcança”. “Onde, quando e como as vossas pistas podem chegar à vida dos nossos concidadãos?”, mas não pode ser “depois de depois de amanhã”.

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