Adesão à greve dos CTT nos 68,13%, diz sindicato

  • Lusa
  • 23 Fevereiro 2018

Trabalhadores dos CTT iniciaram a partir da meia-noite desta sexta-feira a segunda greve geral em dois meses. Sindicatos defendem que a adesão foi de 68,13%.

A adesão à greve dos trabalhadores dos CTT – Correios de Portugal era de 68,13% às 13:30, indicou o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telecomunicações (SNTCT), referindo que algumas estações e centros de distribuição estão encerrados.

“Os números que temos e que dizem respeito, não só ao turno da noite, mas também a centros de distribuição e a centros de correio, dão uma percentagem de 68,13% de adesão à greve”, disse à agência Lusa o secretário-geral do SNTCT, Victor Narciso.

Ainda assim, o responsável ressalvou a “dificuldade [das estruturas sindicais] em ter números concretos porque os dirigentes e os delegados estão a vir para Lisboa, para a manifestação desta tarde, e não vão aos locais de trabalho para recolher números”.

Os trabalhadores dos CTT iniciaram a partir da meia-noite a segunda greve geral em dois meses, após dois dias de paralisação em dezembro.

Entretanto, a partir das 14:30, decorre uma manifestação em Lisboa, desde a praça do Marquês de Pombal até à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, em São Bento, local onde as estruturas representativas dos trabalhadores entregarão documentos a exigir a reversão da privatização da empresa.

As ações são organizadas pelo SNTCT, pelo Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Media (SINDETELCO), pelo Sindicato Independente dos Correios de Portugal (SINCOR), pelo Sindicato Nacional Dos Trabalhadores Das Telecomunicações e Audiovisual (SINTAAV) e pela Comissão de Trabalhadores.

Victor Narciso notou que a percentagem de adesão “pode evoluir – para baixo ou para cima – conforme os dados que forem chegando”, mas “dificilmente” haverá novos números dada a concentração em Lisboa.

Em causa estão cerca de 3.500 trabalhadores que aderiram à greve, segundo o responsável do SNTCT.

“Foi uma boa participação dos trabalhadores. Há vários centros de distribuição no país encerrados, que impedem a distribuição de correio, há estações encerradas e algumas só estão abertas com chefias, que estão impedidas de fazer greve”, precisou Victor Narciso.

Esta manhã, uma delegação da União Geral de Trabalhadores (UGT), liderada pelo secretário-geral adjunto, Sérgio Monte, e composta também por dirigentes sindicais do SINDETELCO foi recebida pelo secretário de Estado do Planeamento e Infraestruturas, Guilherme d’ Oliveira Martins, em Lisboa.

“Nós o que viemos aqui trazer ao secretário de Estado foi a preocupação com o serviço público dos CTT, dada a degradação da qualidade e a necessidade de o Estado ser mais interventivo através da fiscalização”, isto é, da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), afirmou Sérgio Monte à Lusa.

Apontando que o presidente da Anacom, João Cadete de Matos, também esteve presente, Sérgio Monte disse que o executivo prometeu “atenção redobrada” à situação dos CTT.

Na origem dos protestos está o Plano de Transformação Operacional dos CTT, que foi apresentado pela empresa em dezembro e que prevê a redução de cerca de 800 trabalhadores na área das operações em três anos e a otimização da rede de lojas, através da conversão em postos de correio ou do fecho de lojas com pouca procura.

Quanto às estações a encerrar, inicialmente foram apontadas 22, mas o número baixou depois para 19 com a criação de novos postos dos CTT em locais como juntas de freguesia ou estabelecimentos comerciais.

Entretanto, os sindicatos avançaram esta semana que poderão ser até 40 estações, número que a empresa veio rejeitar, esclarecendo que encerraram 16 pontos de acesso do universo de 22 anunciados e que foram abertos 10 novos postos de correio.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Adesão à greve dos CTT nos 68,13%, diz sindicato

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião