Rui Rio: “Naturalmente somos adversários” do CDS

  • ECO
  • 11 Março 2018

Após o discurso de encerramento do congresso do CDS, o líder do PSD assumiu que é adversário de Assunção Cristas e que é melhor do que a líder centrista para ser primeiro-ministro.

Rui Rio respondeu a Assunção Cristas que este sábado disse, em entrevista ao Expresso, que era melhor do que o líder social-democrata. “Serei melhor primeiro-ministro não só do que Assunção Cristas como de António Costa“, afirmou Rio em declarações transmitidas pela SIC Notícias, após o encerramento do 27º congresso do CDS. O líder do PSD assumiu que “naturalmente” é adversário do CDS, assinalando a diferença da quantidade de votos dos partidos.

“Naturalmente somos adversários” do CDS, disse Rui Rio, quando confrontado com as declarações da líder do CDS que se posicionou como a “primeira escolha” dos eleitores da direita. Recusando a ideia de que esta foi uma “declaração de guerra”, Rio afirmou que “Assunção Cristas diz o que lhe compete dizer”. E fez questão de assinalar a diferença da quantidade de votos dos dois partidos.

O líder social-democrata vincou que são partidos diferentes, mas, ao mesmo tempo, relembrou o passado “em conjunto” em vários domínios. E, por isso, disse esperar que os resultados das legislativas de 2019 tragam mais deputados para os dois partidos. “Se depois for necessário uma coligação cá estaremos“, garantiu.

Rui Rio garantiu ainda que “não há nenhuma aproximação ao PS”, mas sim uma “disposição para conversar com os partidos sobre reformas estruturais”. O líder do PSD diz ter um “convicção inabalável” de que os partidos “têm diferenças”, mas têm de se unir para trabalhar nas mudanças que o país precisa.

PS ataca passado de Cristas

O Partido Socialista e o Governo também marcaram presença no 27.º congresso do CDS. À saída, Ana Catarina Mendes disse ter ficado a saber das “ambições” de Assunção Cristas que quer “subir de divisão e subir à primeira liga”, mas considerou que não foi apresentada “nenhuma medida concreta para resolver os problemas concretos”.

E depois partiu ao ataque do passado da líder centrista enquanto ministra do Governo PSD/CDS. “A mesma Cristas que hoje se dirigiu ao país pedindo mais igualdade, foi a mesma que fez parte do Governo que mais empobreceu o país”, atacou a secretária-geral-adjunta do PS, criticando a “ausência” de política na floresta.

A mesma Cristas que hoje se dirigiu ao país pedindo mais igualdade, foi a mesma que fez parte do Governo que mais empobreceu o país.

Ana Catarina Mendes

Secretária-geral-adjunta do PS

“Podem ter todas as ambições que quiserem mas não percamos a memória: Assunção Cristas fez parte do Governo que mais mal fez e maior retrocesso social provocou”, criticou Ana Catarina Mendes, argumentando que a líder do CDS foi “pessoalmente” responsável pela “inação” na política florestal de Portugal.

Já Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, disse que o Governo está disposto a dialogar com todos os partidos, mas que não fará as reformas que o CDS quer, realçando que “é natural que haja diferenças difíceis de resolver”. “Ouvimos no fim de semana militantes do CDS a apelar à redução dos impostos das empresas. Este Governo preferiu começar pelas famílias“, argumentou.

Para o membro do Governo “é bom que haja projetos alternativos”. “Os portugueses vão escolher a sociedade onde querem viver”, disse, referindo que PS e CDS têm “visões diferentes da sociedade”, nomeadamente porque os socialista não olham para o Estado “como um problema”.

(Notícia atualizada às 15h23 com mais declarações)

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