Lucro da Nos bate estimativas. Dividendo dispara 50%

A operadora liderada por Miguel Almeida registou um aumento de 37% dos lucros. Um forte aumento que levou a Nos a elevar a remuneração aos acionistas. Vai dar 30 cêntimos por cada ação.

A Nos lucrou mais no ano passado. Os resultados líquidos da empresa liderada por Miguel Almeida ascenderam a 124 milhões de euros, valor que superou as estimativas dos analistas. Houve um forte aumento que se traduzirá num crescimento expressivo da remuneração a entregar aos acionistas. O dividendo vai disparar 50%.

“O resultado líquido antes de resultados de empresas associadas e joint-ventures e interesses não controlados cresceu 5,6% para 101,3 milhões de euros. O resultado líquido consolidado atingiu 124,1 milhões de euros”, refere a empresa em comunicado enviado à CMVM. Este valor compara com os 90,4 milhões registados no ano anterior. Houve um crescimento de 37,3%. Os analistas sondados pela Reuters apontavam para lucros de 121,6 milhões.

“O EBITDA consolidado apresentou uma variação positiva de 4,3%, para 580,6 milhões de euros, com a margem EBITDA a atingir 37,2%, mais 0,4 pontos percentuais que em 2016”, diz a Nos. Por seu lado, as receitas apresentaram “um crescimento de 3,1% para 1.562 milhões de euros, com as receitas de telecomunicações a crescerem 3,1%, motivadas pelo crescimento de 3,7% do número de serviços”.

Em 2017, “o número de serviços aumentou 3,7% para 9,412 milhões, com adições líquidas de 334,9 mil face ao final de 2016“, refere a operadora, notando que o “número de subscritores móveis atingiu 4,673 milhões e os clientes de televisão por subscrição aumentam para 1,617 milhões”. Nos “serviços de banda larga fixa e telefone fixo continuou a registar-se uma evolução positiva, com crescimentos de 5,4% e 1,9% para 1,333 milhões e 1,758 milhões respetivamente”. Nas empresas, o número de clientes aumentou 40,8 mil face ao final de 2016, atingindo 1,459 milhões de serviços.

Dividendo dispara. Empresa dá 25% mais do que lucrou

Este forte aumento dos resultados líquidos vai levar a empresa a dar mais dinheiro aos seus acionistas. A Nos propõe aos acionistas que o valor do dividendo passe dos 20 para 30 cêntimos por ação. É um crescimento de 50% que se traduzirá num desembolso de 154 milhões de euros, uma soma superior aos lucros que vai, na sua maioria, para a ZOPT, da Sonae e Isabel dos Santos.

Estrutura acionista da Nos

“O Conselho de Administração da Nos aprovou a proposta de um dividendo ordinário de 30 cêntimos de euro por ação, representando um acréscimo de 50% face ao dividendo pago no ano anterior”, diz a empresa. Com os 30 cêntimos por ação, a Nos apresentará um payout de 125%, ou seja, 25% mais do que o que lucrou durante o último exercício. Será, assim, o terceiro ano consecutivo que a empresa liderada por Miguel Almeida vai apresentar um rácio entre dividendos e lucros acima da fasquia dos 100%. Em 2016 apresentou um payout de 114% e de 100% em 2015.

Apesar de dar mais dinheiro em dividendos do que o que lucra, a empresa mantém um nível de endividamento relativamente baixo. “No final do período em análise, a dívida financeira líquida situou-se nos 1.085 milhões de euros, representando 1,9 vezes o EBITDA, um rácio conservador face às congéneres do setor”, nota a empresa no comunicado enviado à CMVM

Mais investimento… em infraestrutura

Mesmo com tanto dinheiro para dividendos, a Nos continua a investir. Miguel Almeida diz que “continua focada no desenvolvimento das melhores soluções de comunicação e entretenimento para os nossos clientes, reforçando continuamente o investimento em inovação, nas nossas redes de nova geração e em serviços de cloud“.

Em 2018, vamos acelerar ainda mais os nossos investimentos em infraestrutura, nomeadamente na modernização das redes de acesso com tecnologias de última geração, prosseguindo o caminho de melhoria continua da qualidade do serviço que prestamos aos nossos clientes”, nota o presidente executivo da Nos, reiterando que a empresa “quer ter um papel ainda mais relevante na transformação digital da sociedade portuguesa e na competitividade das empresas nacionais.”

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