Aumento dos salários e combate à precariedade marcam 1º de maio nos partidos

Da esquerda à direita, o foco dos partido neste Dia do Trabalhador esteve no aumento dos salários e no combate à precariedade.

No Dia do Trabalhador, fala-se em trabalho, e os principais partidos não falharam ao tema. Foram sobretudo dois os assuntos de que mais falaram nas comemorações deste 1º de maio: aumento de salários e combate à precariedade no trabalho.

O início da tarde desta terça-feira começou por ser marcado pelo encontro nas ruas de Lisboa de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, e Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP. No encontro que aconteceu no Martim Moniz, a responsável do partido do Governo assumiu o compromisso de aumentar os rendimentos dos portugueses no próximo ano e meio, apesar de alertar que o Governo não pode “dar todos os passos ao mesmo tempo“.

“O que queremos fazer no próximo ano é continuar o caminho da melhoria de vida dos nossos trabalhadores. Se aumentámos os rendimentos, fomos capazes de aumentar as pensões e devolver a dignidade no trabalho nos últimos dois anos e meio, no próximo ano e meio é para continuar esse trabalho”, disse a dirigente socialista aos jornalistas, depois de ser questionada sobre a possibilidade de haver aumentos salariais em 2019.

Na troca de argumentos sobre o que já foi feito e o que ainda falta fazer até ao final do mandato deste Governo entre a socialista e o sindicalista a precariedade também foi um tema de eleição.

Arménio Carlos lembrou que há um passo em concreto que CGTP e o Governo podem dar “em conjunto”, que é o que diz respeito à legislação laboral. O sindicalista entende que, como está, “desequilibra completamente as relações no trabalho” e que é preciso melhorar salários, a contratação coletiva e combater a precariedade.

Em resposta, a secretária-geral adjunta do PS disse que a precariedade “tem sido um combate permanente” dos socialistas e que essa é uma promessa que o Governo “está a tentar resolver até ao final deste ano”.

CDS com propostas contra a precariedade na calha

Também o CDS-PP elegeu o tema da precariedade como bandeira nas comemorações do 1º de maio, tendo já programadas iniciativas com vista a melhorar a legislação laboral.

“Há uma década que o CDS-PP celebra o Dia do Trabalhador em Almada. É isso que estamos a fazer uma vez mais, num momento em que Portugal vive uma quebra do desemprego, que se deve muito à legislação laboral apresentada pelo Governo anterior, legislação laboral essa que a esquerda parlamentar quer, insistentemente, revogar”, disse Mesquita Nunes num almoço com cerca de centena e meia de apoiantes, na Costa da Caparica, concelho de Almada.

O vice-presidente do CDS-PP reconheceu, neste almoço que assinalou o Dia do Trabalhador, que é necessário melhorar a atual legislação do trabalho e prometeu apresentar, nos próximos meses, um conjunto de propostas para dar resposta aos problemas da precariedade das relações de trabalho e aos abusos do trabalho temporário.

“Em primeiro lugar, é preciso olhar para essa matéria [precariedade e abuso do trabalho temporário] e teremos propostas muito concretas. Em segundo lugar, no que respeita aos trabalhadores independentes – que é a forma de trabalho que mais se vai impor nas próximas décadas, de acordo com todos os estudos -, é preciso encontrar proteção social e laboral” para eles, disse.

Questionado sobre a posição do CDS-PP quanto ao eventual aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) para 600 euros já em 2019, Adolfo Mesquita Nunes lembrou que “foi o último Governo PSD/CDS-PP a desbloquear o congelamento do SMN imposto pela ‘troika'” e garantiu que o CDS-PP não se opõe a esse aumento desde que as condições da economia o permitam.

“Não seremos nós a impedir o aumento do salário mínimo, desde que isso não implique, para sustentar essa medida, mais aumentos de impostos encapotados e o aumento da carga fiscal, que é isso que tem acontecido”, concluiu.

“É tempo de repor” os salários diz o PCP

Já Jerónimo de Sousa, também disse que “tempo de repor” os salários, salientando que no que respeita ao ordenado mínimo “600 euros não são aceitáveis num quadro em que tem havido tanta desvalorização dos trabalhos dos trabalhadores. No entanto, o secretário-geral do PCP não falou num valor que consideraria justo para o rendimento mínimo.

Jerónimo de Sousa defendeu ainda “o aumento global dos salários, quer no público quer no privado” e reforçou que os trabalhadores da Função Pública devem também beneficiar de um aumento da remuneração. “Tenhamos tento. São trabalhadores que não têm aumentos há nove anos“, afirmou o líder comunista, acrescentando assim que “é da mais elementar justiça que sejam aumentados“, acrescentou.

BE alerta que “com precariedade não há democracia”

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda também participou no desfile da CGTP em Lisboa. A líder do BE lembrou a importância do Dia do Trabalhador e aproveitou a ocasião para dizer que não abdica da integração dos trabalhadores precários.

“Portugal é o país com mais prevalência de contratos a prazo de toda a União Europeia. É uma verdadeira vergonha, uma calamidade. No setor privado a precariedade tem que ser combatida e, simultaneamente, temos em curso o Processo de Regularização de Precários da Administração Pública (PREVPAP), que está atrasado, que tem que acelerar, e deve permitir a todas as pessoas que ocupam um posto de trabalho permanente ter a sua vinculação”, defendeu a bloquista em declarações aos jornalistas.

Catarina Martins disse ainda que “se a economia está melhor, tem que ficar melhor para quem trabalha”, acrescentando que “com precariedade não há democracia, não há valorização salarial“.

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