Estado sem data para sair da Galp

  • ECO
  • 11 Junho 2018

O presidente da Parpública garante que privatização da Galp não determina data para o Estado sair do capital e disse que vai vender 630 mil metros quadrados de área de construção ligados à Margueira.

O Estado é o segundo maior acionista da Galp, desde 2017, e não tem data para sair, revelou em entrevista ao Público (acesso condicionado) Miguel Cruz. O presidente da Parpública explica que a privatização “não determina uma data para a conclusão do processo” de alienação do Estado.

Com 7,48% das ações da Galp, a Parpública, a holding que agrega várias participações e ativos imobiliários do Estado é “o segundo maior acionista como decorre do processo de privatização que foi lançado”, explicou Miguel Cruz. “Atingida a maturidade do empréstimo obrigacionista convertível [em títulos da empresa] em setembro do ano passado, as ações estão na Parpública”, acrescentou o responsável. E quanto às orientações estratégica que o acionista Estado tem para a empresa dominada pela Amorim Energia, Miguel Cruz apenas frisa que “o exercício de privatização” “não determina uma data para a conclusão do processo”. “Nesse sentido, neste momento a Parpública é acionista da Galp”, conclui o antigo presidente do IAPMEI, sem querer “fazer mais nenhum comentário sobre o que é que se passará de seguida numa sociedade que é cotada na bolsa” e que, segundo Paula Amorim, chairman da Galp tem muitos interessado em comprá-la,.

Recorde-se que na entrevista de vida que deu ao Expresso (acesso pago) este fim de semana, Paula Amorim revelou que “há muita gente a querer comprar”, recusando, porém, avançar nomes. “Temos vários contactos, e não lhes posso falar de identidades, porque as solicitações vêm de vários bancos, que também fazem a sua especulação”, acrescentou

Por outro lado, Miguel Cruz revelou que o Estado vai colocar à venda os terrenos da ex-Lisnave, no início do próximo ano. Segundo o presidente da Parpública, os terrenos em Almada incluem um só lote de 630 mil metros quadrados, que estão neste momento em “fase de avaliação”.

A atividade imobiliária tem tido um bom impulso, o ano passado foi um ano interessante, 2016 já o tinha sido. Desse ponto de vista, sim, obviamente que a atividade da Parpública através das suas empresas tem beneficiado daquilo que é o contexto“, começou por dizer o presidente da Parpública, adiantando que a venda dos terrenos onde funcionaram os estaleiros da Lisnave vão ser colocados à venda no primeiro trimestre do próximo ano.

“Os terrenos da Margueira, com destaque para 2017, passaram por processos de regularizações administrativas e de licenças. Esse processo está, no essencial, concluído. Entrámos agora na fase de avaliação dos terrenos, e elaboração do caderno de encargos, que deve estar concluída até ao final do ano. O objetivo é de lançar o processo de alienação no primeiro trimestre de 2019. Estamos a falar de 630 mil metros quadrados de área de construção prevista”, disse.

Questionado sobre o valor da venda, Miguel Cruz disse ter “uma ideia”, mas não quis adiantar números. Mas, revelou que “o objetivo é vender os terrenos como um todo, e não em parcelas” e que os mesmos têm recebido “várias visitas”. Relativamente ao processo de venda, o presidente espera que este esteja concluído “o mais rapidamente possível, cumpridos os procedimentos legais”. “Neste momento o mais importante é dar início tão rapidamente quanto possível ao processo“, completou.

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